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Militar nomeado no SUS publicou fake news sobre cloroquina e ofendeu OMS

Militar Angelo Martins Denicoli, nomeado como novo diretor de monitoramento e avaliação do SUS - Reprodução/Instagram angelodenicoli
Militar Angelo Martins Denicoli, nomeado como novo diretor de monitoramento e avaliação do SUS Imagem: Reprodução/Instagram angelodenicoli
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

20/05/2020 16h53

O militar Angelo Martins Denicoli, nomeado nesta terça-feira (19) como diretor de monitoramento e avaliação do SUS (Sistema Único de Saúde), publicou uma informação falsa sobre o uso da hidroxicloroquina para o tratamento do novo coronavírus, em seu perfil no instagram.

O major divulgou, no dia 8 de abril, uma fake news dizendo que uma organização americana havia aprovado o uso da hidroxicloroquina para o tratamento de todos os casos do novo coronavírus.

"O CEO da Novartis anunciou que já tem em mãos os resultados de pesquisas que comprovam que a hidroxicloroquina mata o vírus. Tanto que a empresa vai doar 130 milhões de doses", dizia o conteúdo falso compartilhado pelo major levado à pasta pelo ministro interino da Saúde, o general Eduardo Pazuello

Novo diretor de monitoramento do SUS, o militar Angelo Martins Denicoli publica fake sobre cloroquina e crítica a OMS: ‘genocidas da era moderna - Reprodução/Instagram angelodenicoli
Novo diretor de monitoramento do SUS, o militar Angelo Martins Denicoli publica fake sobre cloroquina e crítica a OMS: ‘genocidas da era moderna
Imagem: Reprodução/Instagram angelodenicoli

Na verdade, a FDA, órgão regulador de medicamentos americano, emitiu uma autorização para uso de emergência de produtos com sulfato de hidroxicloroquina e fosfato de cloroquina para alguns pacientes com Covid-19.

A publicação também fazia críticas a 'agentes políticos' que estariam no comando de instituições, como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e nas redações de jornais. "Genocidas da era moderna", acusou o novo diretor de monitoramento do SUS.

O militar também compartilhou ofensas a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), governadores e deputados vistos como inimigos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Uma das publicações de Denicoli diz que o governador do Pará, Hélder Barbalho (MDB), iria colocar presos para vigiar se as pessoas estariam obedecendo medidas autoritárias. O major acrescentou: "Já fez contato com o Estado Islâmico".

Um post dizendo que o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), se internaria em um hospital particular para exames foi publicado pelo novo diretor do SUS com a legenda: "Esse não engana a ninguém".

Em outra sequência de publicações, o novo funcionário do ministério compartilhou ofensas a ministros do STF. Nelas, era dito que Ricardo Lewandowski é amigo de traficantes, Celso de Mello apoia pedófilos, Marco Aurelio Carvalho é a saída de assassinos, Rosa Weber garante estuprador e que corrupto é só ligar para Gilmar Mendes.

Reprodução de publicações deAngelo Martins Denicoli, diretor do departamento de monitoramento e avaliação do SUS - Reprodução/Instagram angelodenicoli
Reprodução de publicações deAngelo Martins Denicoli, diretor do departamento de monitoramento e avaliação do SUS
Imagem: Reprodução/Instagram angelodenicoli

Nos ataques à imprensa, o militar publicou que "o grande perigo de hoje não é o nazismo, é o jornalismo", com uma montagem de fotos de jornalistas.

O diretor do SUS também publicou uma foto sua em um protesto que teve cunho antidemocrático, um documento de sua assinatura de apoio ao Aliança pelo Brasil, partido que o presidente quer lançar e montagens com ofensas ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

Denicoli trancou o seu perfil no instagram, na tarde desta terça-feira, após ser procurado pelo UOL, através da assessoria de imprensa do Ministério da Saúde.

Em nota, o ministério respondeu que o diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS, Angelo Martins Denicoli, "não tinha conhecimento que a informação estava incorreta" sobre o artigo da cloroquina. "Ao tomar conhecimento, optou por apagar a postagem", respondeu.

A publicação foi feita no dia 8 de abril e até esta terça-feira (19 de maio) ainda constava em seu perfil.

O ministério acrescentou que o diretor "também apoia movimentos favoráveis à democracia". Questionado sobre os atributos que levaram o militar a assumir o cargo, o órgão respondeu apenas que: "Denicoli possui experiência relacionada à área designada".