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CPMI inclui centenário Gazeta do Povo (PR) como fake news; jornal repudia

A CPMI das Fake News investiga a divulgação de notícias falsas na internet  - Marcos Oliveira/Agência Senado
A CPMI das Fake News investiga a divulgação de notícias falsas na internet Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

04/06/2020 18h16

A CPMI do Congresso que investiga as fake news incluiu a Gazeta do Povo, tradicional jornal do Paraná, como veículo de notícias falsas, em relatório divulgado no início desta semana pela imprensa.

A direção do jornal fundado em 1919 declarou que recebeu a informação com indignação e formalizou um pedido para que a CPMI revise seu conteúdo. "Esperamos que este erro seja rapidamente corrigido", afirmou, por nota, ao UOL.

A comissão colocou o jornal numa relação de sites com conteúdos "inapropriados" que tiveram 2,065 milhões de inserções de anúncios pagos com verba da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).

Os dados são referentes a uma campanha pela Nova Previdência do governo, num período de 38 dias, entre 6 de junho e 13 de julho do ano passado. O material foi distribuído na internet por meio da plataforma Adwords e Adsense do Google, que atua na distribuição de anúncios.

Em nota, a Gazeta afirmou que a relação produzida pela CPMI foi divulgada sem consulta ao jornal ou qualquer detalhe sobre como os consultores legislativos responsáveis pelo conteúdo chegaram a tal conclusão.

"A Gazeta do Povo é um jornal com 101 anos de história e em todo esse período se dedicou ao jornalismo profissional, publicando somente informações verificadas. A busca pela verdade é parte fundamental de nossos princípios editoriais e sempre pautou nosso trabalho. Reafirmamos diariamente este compromisso com nossos leitores e assinantes", declarou.

O levantamento foi feito por consultores legislativos da Câmara dos Deputados a pedido da CPMI. Entre os sites, também estão canais com conteúdo pornográfico.

A análise foi feita pelo grupo com base num relatório de canais que veicularam a campanha, enviada pela Secom ao grupo, depois de solicitado por Lei de Acesso à Informação.

Em nota, a presidência da CPMI, liderada pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA), declarou que o documento, pedido e incluído no grupo pela relatora, a deputada Lídice da Mata (PSB-BA), "passarão pela discussão e crítica dos demais membros da comissão, não representando, nesse momento, conclusão alguma sobre investigados".

"Qualquer parlamentar membro da CPMI pode juntar documentos ao processo. Ao presidente não cabe fazer juízo de valor sobre eles. A CPMI se mantém aberta, prezando pela imparcialidade e pelo respeito ao contraditório e à ampla defesa", disse.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) pediu a "urgente reparação da CPMI das Fake News" ao jornal. "É lamentável e absolutamente surpreendente. Como um membro tradicional e de destaque na ANJ, a Gazeta tem sido, ao contrário, uma adversária permanente da desinformação e um veículo de ponta na defesa da pluralidade e do jornalismo profissional", disse o presidente da entidade, o jornalista Marcelo Rech.

A ANJ também pediu o esclarecimento da CPMI sobre as motivações que levaram à inclusão da Gazeta no que classificou de "infame relação" e disse que espera o quanto antes "um reparo justo e urgente" ao jornal associado.