PUBLICIDADE
Topo

Fernanda Magnotta

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Do comércio à defesa, Biden vai à Ásia buscar aliados para conter a China

Joe Biden, presidente dos EUA - REUTERS/Leah Millis
Joe Biden, presidente dos EUA Imagem: REUTERS/Leah Millis
Conteúdo exclusivo para assinantes
Fernanda Magnotta

Fernanda Magnotta é doutora e mestre pelo PPGRI San Tiago Dantas (UNESP/UNICAMP/PUC-SP). Especialista em política dos Estados Unidos, atualmente é senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) no núcleo ?Américas - EUA?, professora e coordenadora do curso de Relações Internacionais da FAAP e atua como consultora da Comissão de Relações Internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SP). É autora do livro "As ideias importam: o excepcionalismo norte-americano no alvorecer da superpotência" (2016) e diversos outros capítulos de livros e artigos científicos. É co-criadora do ?Em Dupla, Com Consulta?, um dos maiores canais dedicados ao ensino descomplicado de Relações Internacionais no Youtube Brasil. Já foi chefe de delegação do Brasil na Cúpula de Juventude do G-20, na China, acompanhou as eleições presidenciais dos Estados Unidos, em Ohio, a convite da Embaixada norte-americana em Brasília, e foi selecionada pelo Programa W30 da UCLA/Banco Santander como uma das 30 mulheres mais destacadas em gestão acadêmica no mundo. Contribui frequentemente com veículos da imprensa nacional e internacional analisando os Estados Unidos.

Colunista do UOL

20/05/2022 13h23

O presidente norte-americano Joe Biden desembarca hoje na Ásia. Trata-se da primeira visita à região desde que assumiu o posto, há pouco mais de um ano. Biden visitará a Coreia do Sul e também o Japão, considerados os dois mais importantes aliados dos Estados Unidos nessa parte do mundo.

Além dos temas obviamente esperados para compor a agenda dos encontros, como estratégias de contenção do programa nuclear norte-coreano e as preocupações envolvendo a crise na Ucrânia, duas outras iniciativas dessa missão, resumidas em forma de siglas, merecem particular destaque: o QUAD e o IPEF.

O primeiro, QUAD, corresponde ao "Diálogo de Segurança Quadrilateral", uma aliança informal existente entre Estados Unidos, Japão, Austrália e Índia para tratar de cooperação militar. Embora tenha sido introduzido ainda na primeira década dos anos 2000, o arranjo ganhou força somente a partir de 2017, sob a gestão Trump, por ter sido entendido não apenas como um foro de discussão para questões de segurança indo-pacífica, mas como uma maneira interessante de conter os avanços chineses nessa seara.

A outra iniciativa, IPEF, corresponde ao "Quadro Econômico Indo-Pacífico" e envolve projetos visando o aumento do comércio e da colaboração em matéria de infraestrutura, tecnologia e meio ambiente entre os Estados Unidos e países asiáticos. A ideia é consolidar, nesse caso, uma cadeia de suprimentos que exclua a China a partir de uma estrutura mais flexível do que dos blocos comerciais tradicionais. Espera-se que durante essa viagem Biden apresente os detalhes dessa proposta.

Todos sabemos que Biden compartilha a visão de Trump sobre a China e que tenta, a todo custo, reviver a política do "pivô para a Ásia" de Obama. Sem surpresa, portanto, seu governo organizou, em 2021, reuniões entre os quatro chefes de governo dos países envolvendo o QUAD. Temas como semicondutores, vacinas e a tecnologia 5G foram objeto de discussão nos primeiros encontros. Não se pode esquecer que esse movimento passou a triangular também com o AUKUS, a aliança militar formada pela Austrália, os Estados Unidos e o Reino Unido, tornada pública em 2021.

Em sua viagem para a Ásia, portanto, Biden pretende reforçar a liderança norte-americana e o compromisso dos Estados Unidos com esses e outros parceiros, além de buscar meios indiretos de elevar as expectativas e cobranças sobre países vistos como indecisos, como é o caso da Índia. Os indianos, especificamente, têm sido reticentes em tomar o lado Ocidental no conflito com a Rússia e também no que diz respeito ao estabelecimento de um diálogo mais duro com a China. São acompanhados de maneira atenta por Washington.

Biden olha para a China como principal ameaça geopolítica dos Estados Unidos no século XXI e conter sua expansão é a prioridade estratégica. O plano é explícito: da economia à segurança, angariar o apoio de potências médias para aumentar a influência na região.