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Jamil Chade


Viúva de Marielle pede investigação isenta e diz que revelações são graves

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

30/10/2019 05h36

Mônica Benício, viúva de Marielle Franco e ativista, pede que a investigação sobre o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro seja realizada com "isenção" e que os responsáveis sejam levados à Justiça. Sua declaração ocorre no momento em que detalhes são revelados sobre a menção ao nome do presidente Jair Bolsonaro no inquérito conduzido no Rio de Janeiro.

"Nesse momento, só me cabe dizer que espero que todas as instituições brasileiras responsáveis pela realização da justiça investiguem com profundidade e isenção, o envolvimento de toda e qualquer pessoa que possa ter algum tipo de relação com esse crime hediondo", disse a ativista, numa nota enviada à imprensa.

"Os responsáveis devem ser identificados e devidamente responsabilizados pelo que fizeram para que nunca mais algo parecido possa voltar a ocorrer nesse país. Em nome de todo o amor que sinto por Marielle e respeito que tenho à democracia do meu país, a única coisa que espero das autoridades brasileiras é justiça", apelou Mônica. "E essa satisfação o Brasil hoje deve ao mundo que quer saber: Quem mandou matar Marielle e por quê?".

Mônica qualificou como "gravíssima" as novas revelações. "As notícias relacionadas à execução de uma vereadora democraticamente eleita, em exercício de seu mandato, sejam elas quais forem, são gravíssimas", declarou. "Porque a situação é gravíssima. Grave, porque fere o direito à vida. Grave, porque fere a democracia. Grave, porque há mais de um ano e sete meses não tenho a resposta para o que aconteceu", insistiu.

"A verdade é que a resposta para quem mandou matar Marielle e quais foram as motivações desse crime não trará nem ela, nem Anderson de volta. Mas é preciso falar da dor para além da política, e é desse lugar que vem minha voz ou que ecoa meu silêncio", afirmou.

Mônica insiste que tem sido impedida de ter acesso às informações relativas às investigações. "É preciso dizer que, nos últimos dias, mais uma vez, fui surpreendida por informações muito importantes, de forma dolorosa, por meio da imprensa. Informações cujo acesso me é negado sob a justificativa de que as investigações correm sob segredo de Justiça", disse.

"Desde o início do caso, tenho dedicado minha vida a acompanhar o processo de perto e a cobrar justiça. Solicitei, desde o início, acesso aos processos e inquéritos que apuram os autores, mandantes e a motivação do crime que levou ao assassinato da minha esposa", explicou.

"A mais recente recusa se deu no pedido de informações sobre os autos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça. Defendo que o processo ocorra de maneira segura, comprometido com a verdade dos fatos, mas que seja de forma transparente respeito o direto de acesso da família", apontou.

"De um lado sofro com a falta de informação, de outro com a imprensa me perguntando sobre algo que não pude acessar", lamentou.

"Além de muito doloroso, é inaceitável e inconstitucional que à família seja negado o direito de acompanhar integralmente a apuração deste caso, ao mesmo tempo que a sociedade brasileira e o mundo exigem uma resposta", criticou a ativista.

"A recusa de dar o direito a um acompanhamento completo do caso só me gera mais sofrimento", completou.

Jamil Chade