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Jamil Chade


Relatora da ONU cobra resposta do governo diante de morte de indígena

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

02/11/2019 15h47

A relatora da ONU para o Direito dos Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, condenou o assassinato de Paulo Paulino Guajajara. Ele teria sido morto em um confronto com madeireiros na região de Bom Jesus das Selvas, no Maranhão.

Integrante do grupo "Guardiões da Floresta", o líder indígena pode ter sido alvo de uma emboscada. "Condeno nos termos mais fortes essa morte e apelo ao governo a levar os autores dos crimes à Justiça", disse a relatora, em declarações à coluna.

Ao longo dos últimos meses, ela tem proliferado alertas sobre a situação no Brasil, cobrado demarcações e insistido que o país é um dos mais violentos contra indígenas e defensores de direitos humanos. A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, também denunciou os ataques contra indígenas, o que deixou o governo irritado.

Em junho, Victoria ainda enviou uma carta sigilosa ao governo cobrando proteção a um dos principais líderes indígenas do país, Rosivaldo Ferreira da Silva, o cacique Babau. Babau é o líder na Terra Indígena Tupinambá, situada entre Ilhéus, Una e Buerarema. Na região, mais de 4.600 indígenas estariam vivendo.

Na carta, a relatora também apontam para os problemas relacionados com a falta de demarcação das terras indígenas. "O processo de demarcação da terra tupinambá tem ocorrido por 15 anos, mas ainda não foi finalizado", disse. "Desde 2016, a demarcação parou no Ministério da Justiça, esperando por um decreto final", explicou.

"Nos últimos anos, dada à falta de progresso na demarcação, o conflito escalou, e várias mortes, assédios, intimidações e ameaças ocorreram contra os povos indígenas", disse a relatora, em carta.

Na carta, a relatora da ONU deixava claro ao governo brasileiro que a proteção de líderes indígenas é uma obrigação do Estado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL