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Jamil Chade


Pinochet será homenageado em evento na Assembleia Legislativa de SP

Alesp organiza homeangem a Pinochet - Reprodução
Alesp organiza homeangem a Pinochet Imagem: Reprodução
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

20/11/2019 16h57

Rogério Sottili, diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, anunciou que pedirá ao presidente da Alesp o cancelamento do evento

Monarquista e produtor rural, o deputado estadual Frederico d'Avila (PSL) organiza na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo uma sessão solene em homenagem ao ditador chileno Augusto Pinochet.

O dia escolhido: 10 de dezembro, data da morte do presidente. A data, porém, também marca o dia internacional dos direitos humanos, num evento que é celebrado a cada ano pela ONU e por centenas de entidades pelo mundo como um momento para relembrar as liberdades fundamentais.

Procurado pela coluna, o deputado explicou que "Pinochet conduziu seu governo de forma brilhante, impedindo que o cenário ditatorial e violador de direitos humanos cubano e soviético da época se instalasse no seio da sociedade chilena". Num convite que já circula com a foto do ditador, o deputado convida a todos para o evento no Auditório Paulo Kobayashi, na Alesp.

Rogério Sottili, diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, anunciou que pedirá ao presidente da Alesp o cancelamento do evento, já que o ato é visto como uma apologia ao crime de lesa humanidade e contra a Constituição Federal.

Para o deputado, não faz sentido o pedido de cancelamento "Nunca vi nenhum instituto ou pessoa pedir o cancelamento de atos em homenagem a Marighella, Lamarca, Che Guevara, Fidel Castro, João Goulart e afins", disse.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o deputado indicou que "a visão comunista desses fatos nunca entenderá o bem que ele (Pinochet) fez àquele país e à América Latina".

"Acabou a era de exaltar terroristas como se heróis fossem. O Presidente Augusto Pinochet, em 17 anos do seu governo, transformou o Chile na economia mais pujante da América Latina", completou Frederico d'Avila.

Não será a primeira vez que o deputado estadual faz um gesto de apologia ao ditador, denunciado por crimes contra a humanidade e que liderou uma das ditaduras mais sangrentas do Cone Sul.

Em outubro, segundo os documentos da Alesp, ele participou de um debate em que citava o fato de que Pinochet teria levado o Chile a ser uma "potência". Isso, claro, antes da eclosão dos protestos em Santiago.

Com as manifestações já em andamento, ele gravou um vídeo no dia 22 de outubro para avaliar a situação. Nas imagens, ele aparece diante de uma foto de Pinochet, Ronald Reagan e Margaret Thatcher.

D'Avila, nas redes sociais, ataca a corrupção e, nos últimos dias, tem feito propaganda do novo partido da família Bolsonaro, a Aliança pelo Brasil.

Ainda nas redes sociais, ele prolifera mensagens de apoio de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente.

No último dia 15, ele ainda tuitou: "Se o Brasil ainda fosse uma monarquia, corruptos travestidos de políticos dificilmente teriam espaço na nação. 15 de novembro: nada a comemorar".

Jamil Chade