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Jamil Chade


Um ano depois de sediar Mundial, Rússia é suspensa de Copa e de Olimpíada

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

09/12/2019 08h12

Um ano depois de sediar a Copa do Mundo, a Rússia é banida de todos os grandes eventos esportivos mundiais. Nesta segunda-feira, a Agência Mundial Anti-Doping (WADA) se reuniu em Lausanne e decidiu proibir a participação de atletas russos pelos próximos quatro ano.

Na prática, não haverá delegação oficial russa nos Jogos de Tóquio, no ano que vem, ainda que os atletas que conseguirem provar que estão limpos poderão participar de forma independente e sem referência ao país de origem. No Catar, em 2022, a seleção russa não poderá atuar.

A decisão foi tomada por unanimidade e representa um duro golpe contra a diplomacia do esporte de Vladimir Putin. Em 2018, ele sediou a Copa e, em 2014, os Jogos de Inverno. Ambos foram os eventos mais caros da história.

Em 2016, no Rio de Janeiro, os russos já tinham sido banidos no atletismo, depois da revelação de um "doping de estado" conduzido por Moscou com um número enorme de atletas. Agora, uma vez mais, a Rússia foi declarada "não conforme" por suspeitas de manipular dados de amostras de laboratórios. O Kremlin alega que os problemas são "técnicos". Mas a versão não convenceu os dirigentes esportivos.

Moscou promete recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte. Mas parte da WADA não disfarçava a insatisfação em relação às medidas adotadas. A vice-presidente da entidade, Linda Helleland, considerou que a proibição não era "suficiente". "Eu queria sanções que não pudessem ser diluídas", afirmou.

"Uma proibição geral pode fazer com que os dirigentes russos percebam a gravidade da confusão que criaram, para si próprios e para os seus atletas", afirmou Helleland.

"Se não impusermos sanções que realmente despertem os dirigentes russos - que os responsabilizem -, como poderemos ter a certeza de que o sistema irá alguma vez mudar?", questionou.

Para uma parcela da WADA, a forma pela qual as punições tem sido adotadas não impede ainda uma forte participação de atletas russos. Nos Jogos de Inverno de 2018, 168 atletas russos competiram sob uma bandeira neutra.

Outro problema é a participação já confirmada da seleção russa na Euro 2020. São Petersburgo será uma das sedes dos jogos e, para a WADA, o torneio não é considerado como um dos grandes eventos.

Jamil Chade