PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Jamil Chade


Extrema-direita é epidemia, e cinema uma cura, diz Petra, indicada ao Oscar

Petra Costa durante as filmagens do documentário Democracia em Vertigem - Diego Bresani/Divulgação
Petra Costa durante as filmagens do documentário Democracia em Vertigem Imagem: Diego Bresani/Divulgação
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

13/01/2020 13h24

Petra Costa, indicada ao Oscar por seu documentário Democracia em Vertigem, espera que seu trabalho tenha um impacto real.

Numa declaração momentos depois da notícia da escolha de Hollywood, a brasileira afirmou que ela e o restante da equipe estão "absolutamente emocionados e extasiados por nossos colegas terem reconhecido a urgência deste filme, e honrados por estar na companhia de documentários tão importantes".

"Numa época em que a extrema-direita está se espalhando como uma epidemia, esperamos que este filme possa nos ajudar a entender como é crucial proteger nossas democracias", declarou.

"Está se tornando cada vez mais evidente o quanto o pessoal é político para tantos ao redor do mundo e acredito que é através de histórias, linguagem e documentários que as civilizações começam a se curar", disse.

"Viva o cinema brasileiro", completou.

Dor

Em 2019, em sua primeira entrevista na ocasião do lançamento do filme, Petra Costa explicou à coluna o motivo pelo qual decidiu narrar a história em primeira pessoa.

Ela queria contar "como uma situação política atravessa uma pessoa de forma avassaladora". "Quando eu digo que alguma coisa está doente na sociedade brasileira, eu senti que tinha um trauma acontecendo, e senti esse trauma me afetando emocionalmente", explicou.

"Não conseguir dormir, acordar com susto e pensando: o que vai ocorrer com o Brasil? E muitas outras pessoas viveram isso. E eu queria falar justamente sobre isso. A relação do cidadão com sua democracia. Uma relação tão importante como uma relação amorosa. Como é tão doloroso quando entra numa crise, é tão doloroso como perder uma pessoa querida", disse. "Seja de qual parte da história você estiver, o Brasil inteiro passou por um período muito dolorido".

"E o filme é uma tentativa de falar dessa dor. Eu mesmo senti que envelheci dez anos nestes três anos. Tinha dias que pareciam um século", completou.

Jamil Chade