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Não ajuda chamar manifestantes de "terroristas", alerta ONU

                            -                                 EVARISTO SA/AFP
Imagem: EVARISTO SA/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

05/06/2020 08h50

Qualificar manifestantes de terroristas "não ajuda". O alerta foi feito pelo Escritório da ONU para Direitos Humanos que, nesta sexta-feira, foi questionado pela coluna sobre as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre os protestos no país.

Na última terça-feira, Bolsonaro classificou os protestos contra seu governo de "marginais e terroristas".

"O que sempre vamos ressaltar é que pessoas têm o direito à manifestar pacificamente e as forças de segurança usada devem facilitar o direito à reunião pacífica, para expressar suas opiniões", disse a porta-voz do organismo da ONU, Liz Throssell.

"Não ajuda qualificar as pessoas de terroristas", disse, deixando claro que não iria entrar em detalhes sobre a frase específica de Bolsonaro. "Mas é importante garantir o direito à manifestações pacíficas", afirmou.

Um tom similar foi utilizado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Segundo o órgão ligado à OEA, "o direito a manifestação pacífica é um elemento essencial de funcionamento e da existência do sistema democrático e um canal que permite que pessoas e diferentes grupos da sociedade expressem suas demandas, discordâncias e reivindicações aos governos".

A Comissão lembra ao Brasil da obrigação de garantir, proteger e facilitar manifestações sociais pacíficas", disse. "O uso da força, como último recurso, deve estar ajustado estritamente aos princípios da excepcionalidade, necessidade, progressividade e proporcionalidade", indicou.

Na quinta-feira, em sua live nas redes sociais, ele voltou a tocar no tema envolvimento manifestantes antifascistas. "Na verdade, são terroristas. Lamentamos não conseguir tipificar como terrorismo suas ações no passado", disse o presidente, nua referência à Lei Antiterrorismo (13.260).

Ele ainda insistiu em desqualificar o movimento. "Bando de marginais. Muitos ali são viciados. Outros ali têm costumes que não condizem com a maioria da sociedade brasileira. Eles querem o tumulto, querem o confronto", disse o presidente.

Algumas das referências são exatamente as mesmas que o presidente americano Donald Trump tem usado contra os manifestantes nos EUA, nos últimos dias.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL