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Jamil Chade


Com "represamento", Brasil bate recorde de novos casos no mundo em 24h

12.jun.2020 - Movimentação dos cariocas no Catete, na zona sul do Rio de Janeiro; nas últimas 24 horas, o estado registrou 225 mortes pela covid- 19 - Ellan Lustosa/Código19/Estadão Conteúdo
12.jun.2020 - Movimentação dos cariocas no Catete, na zona sul do Rio de Janeiro; nas últimas 24 horas, o estado registrou 225 mortes pela covid- 19 Imagem: Ellan Lustosa/Código19/Estadão Conteúdo
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

21/06/2020 19h07

O número de novos casos da covid-19 registrados pelo Brasil em 24 horas e submetidos à OMS representa um novo recorde mundial. Em seu boletim diário publicado neste domingo, a agência mundial indica 54,7 mil infectados extras no país neste período.

Os dados representam o maior salto no mundo no espaço deu um dia desde o início da crise, em janeiro.

Uma das explicações para o salto no número, em apenas um dia, foi o represamento de exames que aguardavam resultados ou sua simples contabilização no sistema. Fenômenos parecidos ocorreram em outros países, como no Chile ou mesmo nos EUA.

No caso brasileiro, os dados relativos aos dois dias que antecederam aos números de sexta-feira tinham ficado abaixo da média. O motivo teria sido dificuldades técnicas envolvendo nove secretarias estaduais, que não teriam conseguido submeter os números totais.

Quando o total de dados foi contabilizado, o resultado registrado na sexta-feira atingiu o número inédito.

Ainda assim, o caso revela um fenômeno que preocupa a OMS, principalmente se esse represamento for um possível sintoma de sub-notificações nas últimas semanas ou nas dificuldades de diferentes secretarias em dar conta do volume de testes.

Os número da agência estão defasados, já que a OMS precisa coletar as informações oficiais de cada um dos 193 países antes de publicar a soma. Neste boletim, publicado neste domingo, a coleta dos dados foi encerrada às 5h da manhã deste domingo.

Os 54,7 mil novos casos se referem aos números que o Ministério da Saúde publicou já na sexta-feira pela noite, além de 1.206 mortes. A pasta ainda indicava que mais da metade do número total de infectados, 507.200, já estariam recuperados.

De acordo com os dados da OMS, o maior registro em apenas 24 horas tinha ocorrido nos EUA, em 26 de abril. Naquela data, foram 38 mil novos casos. Neste boletim atual, os números americanos chegam perto daquele antigo recorde, com 36 mil infectados extras.

Ao longo dos últimos sete dias, o Brasil também chegou próximo aos patamares do pior momento da pandemia nos EUA.

Em termos gerais, o Brasil soma mais de 1 milhão de casos, o que coloca o país como o segundo lugar no mundo. Mas, somando apenas os últimos sete dias, a OMS destaca como o Brasil é o país com o maior número de casos - 204,1 mil.

No mundo, em apenas um dia, 183 mil novos casos foram registrados. Quase 30% ocorreram no Brasil.

Ao longo dos meses, nenhum país da Europa Ocidental registrou mais de 10 mil casos novos por dia.

Jamil Chade