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Merkel: pandemia mostrou os limites de "populistas que negam fatos"

Chanceler alemã, Angela Merkel - POOL New
Chanceler alemã, Angela Merkel Imagem: POOL New
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

08/07/2020 14h38

Presidente temporária da UE e chanceler da Alemanha, Angela Merkel mandou um duro recado a líderes pelo mundo que, nos últimos meses, se recusaram a aceitar a gravidade da pandemia. Para ela, a covid-19 mostrou os "limites" do populismo e do nacionalismo.

Em um discurso na qual não citou nomes, a alemã deixou claro que era o momento de a UE chegar a um acordo sobre como relançar sua economia. Falando ao Parlamento Europeu.

"Estamos vendo no momento que a pandemia não pode ser combatida com mentiras e desinformação, e nem pode ser com ódio e agitação", disse a chanceler que, para muitos, saiu fortalecida diante da resposta que deu à crise.

"O populismo que nega os fatos está mostrando seus limites", afirmou a alemã, arrancando aplausos. Ela não citou nomes. Mas seu discurso, no meio diplomático, foi interpretado como um recado a Donald Trump e Jair Bolsonaro.

Na comunidade internacional, os dois presidentes passaram a ser considerados como os principais expoentes de um comportamento negacionista em relação à gravidade do vírus. Os dois países são, hoje, os que acumulam os maiores números de mortes e de casos.

Em ambos os casos, a manipulação de dados e o questionamento da ciência fizeram parte da resposta à pandemia.

Diante da notícia do resultado positivo de Bolsonaro à covid-19, vários foram os jornais estrangeiros que destacaram o caráter "negacionista" do presidente brasileiro.

"Em uma democracia, são necessários fatos e transparência. Isso distingue a Europa, e a Alemanha a defenderá durante sua presidência", prometeu Merkel, cientista de formação.

Dentro da Europa, a pandemia colocou países do norte e os do sul uma vez mais em um embate. Merkel, porém, insiste que a crise será usada politicamente para tentar enfraquecer o bloco.

"Não devemos ser ingênuos: em muitos estados-membros, os opositores da Europa estão apenas esperando para usar a crise para seus fins", afirmou. "Devemos mostrar a todos eles onde está o valor agregado da cooperação na União Europeia". Devemos mostrar que um retorno ao nacionalismo não significa mais, mas menos controle".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL