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Jamil Chade

Pandemia afetou o acesso à educação para 70% dos jovens no mundo

                                 Escolas em todo o País tiveram que fechar por causa da pandemia da covid-19                              -                                 FCE/Divulgação
Escolas em todo o País tiveram que fechar por causa da pandemia da covid-19 Imagem: FCE/Divulgação
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

11/08/2020 15h00

O fechamento de escolas deixou um a cada oito jovens sem qualquer tipo de acesso à educação e interrompeu treinamento, cursos e exames, inclusive por meios virtuais. No total, a pandemia abalou a educação para 70% dessa camada da sociedade entre 18 e 29 anos. Os dados fazem parte de um levantamento realizado em 112 países pelo mundo com entrevistas a mais de 12 mil jovens.

Publicado nesta terça-feira pela Organização Internacional do Trabalho, o estudo revela que 73% dos jovens foram de alguma forma afetados pela pandemia, com perda de emprego ou de acesso à educação. Para a OIT, esses números revelam que a crise vai ter um impacto de longo prazo.

Um dos aspectos destacados no informe é a incapacidade de camadas mais pobres da população a manter o mesmo acesso à educação. Nos países ricos, 65% dos jovens entre 18 e 24 anos continuaram aulas e treinamentos online quando os estabelecimentos fecharam. Nos países de renda média, essa taxa foi de 55%.

Já nos países mais pobres, isso chegou a apenas 18%. Ou seja, de cada cem jovens nesses países, 82 ficaram completamente fora das salas de aula e do ensino básico.

Se as disparidades sociais já eram profundas antes da pandemia, o estudo revela como tais desigualdades se ampliaram com a crise. Nos países ricos, apenas 4% dos jovens disseram que ficaram completamente sem educação. Já nos países mais pobres, essa taxa chegou a 44%, contra 20% nos mercados emergentes.

Os dados não são apresentados nem por região e nem por países. Mas, segundo a OIT, a média mundial indicou que 51% dos jovens entrevistados estão convencidos de que a crise atrasará sua educação e 65% deles admitiram que aprenderam menos.

Esses jovens também foram os mais afetados em termos de emprego e renda. De acordo com o levantamento, um a cada seis pessoas de 18 a 29 anos parou de trabalhar diante da pandemia. De cada cinco, dois tiveram uma queda importante na sua renda.

O impacto desproporcional entre os jovens ocorre por conta de muitos deles estarem aquando no setor de serviços. O segmento foi especialmente atingido pelo fechamento do comércio, restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos.

Um dos temores ainda da OIT é de que o impacto social se traduza em problemas de saúde. As estimativas são de que a depressão e ansiedade estejam já afetando 17% desses jovens.