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Jamil Chade

Beirute analisa destroços químicos da explosão; Brasil tem equipe no Líbano

Visão aérea do porto de Beirute após explosão - Reprodução
Visão aérea do porto de Beirute após explosão Imagem: Reprodução
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

19/08/2020 04h02

Técnicos do governo brasileiro começam a fazer parte dos esforços de Beirute para o estabelecimento de um plano de remoção das substâncias químicas que explodiram no porto da cidade, no início do mês. O envolvimento do Brasil está sendo negociado e uma missão para estabelecer a participação do país ocorre neste momento, no Líbano.

Depois da passagem de uma missão liderada pelo ex-presidente Michel Temer pela capital libanesa com doações emergenciais, três técnicos do governo permaneceram no país para avaliar de que forma o Brasil poderia auxiliar no momento de reconstrução da cidade, avaliação ambiental, limpeza química, e no setor médico.

A equipe nacional é composta por Raquel Negrelle, da Universidade Federal do Paraná e parte do Grupo Interministerial sobre Cooperação Humanitária Internacional junto ao Escritório de Avaliação de Desastres das Nações Unidas. Além dela, fazem parte da missão Ana Flávia Rodrigues Freire, do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres, e Vitor Almeida Miranda, do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia.

Três setores passaram a ser avaliados pelo Brasil. O primeiro deles é o de meio ambiente e a remoção dos resíduos tóxicos. Nesta quarta-feira, um encontro entre a ONU (Organização das Nações Unidas), as autoridades locais, parceiros internacionais e os técnicos brasileiros está agendado para ocorrer em Beirute para tratar sobre como cada país estará implicado no projeto.

Segundo os técnicos, não basta apenas retirar o material que explodiu do local. Um plano da remoção precisa ser estabelecido, assim como um destino seguro para os resíduos. Muitos desses produtos sequer ainda foram identificados. Caso se confirme, o trabalho pode ser realizado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Fontes nas Nações Unidas confirmam à coluna que não há uma análise do impacto que a explosão teve no mar Mediterrâneo, por exemplo. De acordo com a agência, há um esforço para tentar determinar que tipo de detritos perigosos atingiram Beirute após a explosão no porto.

"Em segundos, Beirute foi coberta por camadas e camadas de detritos", disse Rekha Das, assessora de crise do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas.

"Estamos avaliando os tipos de detritos: os tijolos, o aço, o vidro, o lixo perigoso, o lixo médico e o lixo eletrônico também precisam ser tratados. Temos que descobrir o que é perigoso e o que não é. O que pode e o que não pode ser reciclado".

"E se não pode ser reciclado, onde ele pode ser descartado com segurança? O Líbano já tinha uma enorme crise de resíduos sólidos antes da explosão", alertou.

O segundo aspecto é a colaboração do Brasil em reforçar a segurança de locais onde estão estocados materiais sensíveis e identificar os motivos da explosão. Os técnicos brasileiros, porém, não farão parte da comissão de inquérito que está sendo formada para investigar o acidente.