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Com Pazuello, Brasil é incluído na cúpula da aliança mundial de vacinas

Ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, em Brasília -
Ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, em Brasília
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

10/09/2020 07h13

A aliança mundial de vacinas contra a covid-19 incluiu o Brasil como um dos 25 membros do conselho do grupo, conhecido como ACT. A primeira reunião ocorre nesta quinta-feira e contará com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Além de coordenar a distribuição mundial de uma vacina, a meta da iniciativa é a de acelerar pesquisas em diagnósticos e tratamento. A OMS, porém, alerta que conta com apenas 10% dos recursos necessários para que o projeto possa funcionar.

A inclusão do Brasil no grupo ocorre pela dimensão de seu mercado e por sua influência, diante de sua população, para determinar preços e volumes da vacina no mundo.

A iniciativa, comentam fontes dentro do Itamaraty, mostra os limites da narrativa do governo brasileiro de criticar novos organismos internacionais e questionar o multilateralismo como solução para problemas globais.

Além do Brasil, essa categoria de países incluiria China, África do Sul, Rússia e Índia. Uma segunda categoria envolver apenas países com forte capacidade de doação de recursos, entre eles Canadá, Alemanha, Japão, Noruega e França. O conselho ainda incluiria grupos regionais, tais como a União Africana, OEA ou a Liga Árabe, além da sociedade civil e entidades internacionais como o Banco Mundial e a OMS.

Em abril, a OMS reuniu governos de várias partes do mundo para fazer parte da aliança, que ganhou o nome de ACT. Um de seus mecanismos seria o Covax, uma espécie de consórcio destinado a garantir estoques de vacinas e um plano de distribuição mundial.

A meta é de que o fundo evite uma corrida mundial pela vacina e uma guerra financeira, deixando milhões de pessoas em países mais pobres sem o produto. Num primeiro momento, todos os países que fazem parte da aliança receberiam o equivalente a 3% de sua população. Os produtos seriam destinados a vacinar acima de tudo profissionais de saúde.

Numa segunda etapa, idosos e pessoas com doenças crônicas seriam vacinados, o que representaria 20% da população desses países.

Num primeiro momento, porém, o Brasil não fez parte da iniciativa, gerando preocupação por parte de parlamentares e profissionais de saúde. Naquele momento, procurado pela reportagem, o governo disse que estava negociando sua participação em outras alianças. Dentro do Itamaraty, havia uma resistência em se aproximar a projetos da OMS, criticada duramente pelo presidente Jair Bolsonaro.

Semanas depois, o governo enviou uma carta às organizações internacionais manifestando seu interesse em fazer parte do plano.

No início de setembro, Brasília confirmou que vai participar da aliança e que quer manter direitos para adquirir doses de vacinas para o equivalente a 20% de sua população. O custo poderia chegar a R$ 4 bilhões.

Mas o governo aderiu ao sistema com a condição de que se permita implementar certas flexibilidades na compra dos remédios.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL