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Brasil apoia reunião de emergência sobre Belarus na ONU

30.ago.2020 - Policiais bloqueiam um protesto de opositores do governo de Belarus em Minsk neste domingo - TUT.BY/REUTERS
30.ago.2020 - Policiais bloqueiam um protesto de opositores do governo de Belarus em Minsk neste domingo Imagem: TUT.BY/REUTERS
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

13/09/2020 15h18Atualizada em 14/09/2020 17h07

Nesta segunda-feira, o governo brasileiro apoiou um projeto para que a situação em Belarus seja encaminhada para o Conselho de Direitos Humanos da ONU. O centro da preocupação é a repressão por parte do governo contra a sociedade civil e contra líderes da oposição. Depois de uma votação, o órgão decidiu manter o encontro na próxima sexta-feira.

Enquanto 100 mil pessoas realizam neste domingo mais um protesto em Minsk contra o governo de Alexander Lukashenko e em protesto aos resultados das eleições presidenciais, as negociações diplomáticas ganhavam força nos bastidores da ONU para colocar pressão máxima sobre o que é considerado como a última ditadura da Europa.

Numa carta obtida pela coluna enviada pelo governo da Alemanha ao Conselho de Direitos Humanos, Berlim solicita que a situação de Minsk seja alvo de uma sessão especial e urgente. O projeto conta com o apoio de toda a Europa e, segundo embaixadores do Velho Continente, Berlim foi pedir na América Latina apoio para que a sessão possa ocorrer. Um dos países que já deu apoio é o Brasil.

Mas colocar o tema na agenda do Conselho foi alvo de resistência. A votação terminou com 20 votos a favor da reunião de emergência, 2 contra e 20 abstenções.

Países aliados aos russos, inclusive na América Latina, estão sendo escalados para denunciar uma "ingerência em assuntos domésticos".

O governo da Venezuela, por exemplo, foi o primeiro a apoiar Minsk, insistindo que 81% da população escolheu o atual presidente. "Isso é uma ingerência externa. Não deve haver uma intervenção externa. E é deplorável que países do mundo não tenham reconhecidos a eleição", declarou a delegação de Caracas.

Para o governo alemão, esse não é o caso. "A atual deterioração da situação de direitos humanos em Belarus em relação às eleições presidenciais de 2020 exige uma atenção urgente do Conselho de Direitos Humanos da ONU", diz a carta à secretaria das Nações Unidas. O governo da Holanda denunciou uma ampla fraude eleitoral, um tom similar usado pela Dinamarca, Austrália, Espanha, República Tcheca e outros.

O governo de Minsk tomou a palavra para declarar que é "inaceitável" que haja uma sessão especial. "Trata-se de uma manipulação do Conselho da ONU em uma situação que não exige seu envolvimento. O presidente foi vitorioso", declarou.

Para a delegação, os protestos estão sendo "organizados do exterior" e o governo está trabalhando para superar a crise e "criar diálogo e harmonia".

"O que está ocorrendo aqui não tem relação com direitos humanos. Mas é sim uma pressão política e cria um precedente perigoso de ingerência em eleições locais", alertou.

No dia 20 de agosto, o Itamaraty emitiu uma nota em que declara que "o governo brasileiro acompanha, com preocupação, os desdobramentos das eleições presidenciais de 9 de agosto em Belarus, em particular os relatos de violência contra demonstrações pacíficas".

"O Brasil conclama as forças políticas do país ao diálogo amplo e à solução pacífica das diferenças, com pleno respeito aos direitos fundamentais e ao princípio da soberania popular", completou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL