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Jamil Chade


Jamil Chade

OMS soa alerta diante de nova onda de contaminações pelo mundo

Com 307 mil casos diários de Covid-19 no mundo, OMS faz apelo pela democratização da vacina - Wikimedia Commons
Com 307 mil casos diários de Covid-19 no mundo, OMS faz apelo pela democratização da vacina Imagem: Wikimedia Commons
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Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

16/09/2020 14h26

A Organização Mundial da Saúde (OMS) soa um alerta diante do aumento do número de casos da covid-19, num momento em que diversos países europeus voltam a registrar novas ondas de contaminações. No início da semana, o mundo registrou um recorde no número de novos casos registrados em 24 horas.

Falando nesta quarta-feira, em Genebra, os dois principais responsáveis da entidade por dar uma resposta à pandemia apelaram para que governos reforcem suas ações, assim como insistiram para a necessidade de a sociedade repensar suas prioridades. Caso contrário, o mundo voltará à situação de abril, quando hospitais lotaram, o número de morte disparou e escolas foram fechadas.

"Há uma tendência preocupante, com o aumento de casos em alguns países", disse Maria Van Kerkhove, diretora técnica da OMS. Segundo ela, em alguns casos, os saltos se assemelham às primeiras semanas da pandemia.

A especialista admite que parte do aumento ocorre diante da maior capacidade de realizar testes. "Mas o que é realmente preocupa é que não vemos apenas um aumento de casos, mas de internações e do uso de UTIs", disse. Ela cita a situação alarmante na França, Espanha e regiões dos EUA.

No caso da América do Sul, a agência destaca que a região continua sendo "duramente afetada", mesmo com números que começam a mostrar uma queda. "Mas os níveis são muito elevados ainda", disse.

A principal preocupação da OMS se refere ao fato de o mundo estar vendo o salto de casos, meses antes do inverno no hemisfério norte chegar. "Estamos ainda em setembro e nem começamos ainda a temporada da gripe", disse.

Se não houver um freio, a agência teme uma volta dos sistemas de saúde sobrecarregados.

Mike Ryan, chefe de operações, acenou no mesmo sentido. "O risco é de volta onde estávamos (em março e abril) e ninguém quer isso", disse. "Se a onda continuar a crescer, nossa capacidade de testar fica mais difícil até que chega ao ponto de ficar impossível", afirmou. "Não é bom o que estamos vendo", admitiu.

"O maior medo é de que, se casos aumentarem nos hospitais, podemos voltar a ter a crise de março e abril", disse Ryan. Para ele, porém, nada disso precisa voltar a ocorrer.

Para a OMS, o mundo está mais preparado e conhece melhor o vírus. "Temos a possibilidade de ter êxito ou de fracassar. Está em nossas mãos", disse. "Mortes em residências de idosos e fechamento de escolas não precisam voltar a ocorrer", afirmou.

Letal

De acordo com a entidade, de fato há uma queda da mortalidade, diante do maior conhecimento sobre a doença, maiores cuidados com idosos.

Mas um dos aspectos alertados por Ryan é que o grau de letalidade do vírus continua importante. Em média, uma pessoa em cada 200 morre. "Pense isso em comparação à tua chance de ganhar na loteria", disse. "Isso mostra como ele é perigoso", insistiu o irlandês. "Ainda perdemos 5 mil pessoas por dia, e contando só aqueles que sabemos que foram contaminados", disse.

Para a OMS, as pessoas ainda precisam avaliar o fato de que a ciência não conhece o impacto de médio e longo prazo da doença.

O apelo da agência é ainda para que a sociedade avalie seus riscos e que pessoas façam "sacrifícios" ao evitar aglomerações, festas. "Estamos todos cansados. Parece que estamos nisso há 40 anos. "Se limitarmos nossas atividades, o risco cai para todos", disse Ryan.

Confinamento

Na avaliação da OMS, governos têm hoje a chance de limitar a proliferação da doença com medidas mais focadas, e não mais com um confinamento geral da população. "A resposta precisa ser local", disse Maria.

Mas ela destaca uma mudança na demografia dos infectados na nova onda de casos, com um número maior de jovens. "Vemos casos de internação entre 15 e 44 anos, e isso é incrivelmente preocupante", disse.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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