Denúncia na ONU: Bolsonaro e aliados realizaram 449 ataques contra imprensa
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O presidente Jair Bolsonaro, seus filhos, ministros e assessores realizaram um total de 449 ataques contra jornalistas desde o início de seu mandato, em janeiro de 2019. Os dados foram apresentados nesta segunda-feira ao Conselho de Direitos Humanos da ONU pela entidade internacional Artigo 19.
Em seu discurso, a organização de proteção à liberdade de imprensa colocou o Brasil como um dos destaques negativos no seu trabalho em todo o mundo, ao lado do México, Bangladesh e Camboja.
A nova denúncia não resultará em punições ou sanções. Mas amplia o constrangimento sobre o governo brasileiro no palco internacional e aprofunda o desgaste diplomático do país.
De acordo com os dados apresentados pela entidade, entre os 449 ataques registrados desde a posse de Bolsonaro, aproximadamente 23% deles partiram do presidente da República, que se manifestou de forma agressiva contra a imprensa por meio de postagens e transmissões ao vivo nas mídias sociais, coletivas de imprensa, discursos, pronunciamentos e entrevistas. No total, foram 102 ataques.
40 deles tentaram deslegitimar o trabalho da imprensa, contra outras 40 declarações com um discurso estigmatizante sobre a mídia. Em 13% dos casos, o presidente expôs jornalistas e comunicadores, gerando ataques massivos contra os profissionais nas redes sociais.
Em 12% dos casos houve impedimento informativo, em 4% ocorreu omissão institucional e em 2% houve intimidação institucional.
"Os filhos de Jair Bolsonaro que também exercem mandatos eletivos e compõem o mesmo grupo político figuraram como autores de quase metade (220) dos ataques", diz o documento. "Do total de violações registradas, Eduardo Bolsonaro é autor de 24%, Carlos Bolsonaro de 19%, e Flávio Bolsonaro, 6%. Os ministros indicados pelo presidente, ainda que tenham sido exonerados e indicados de forma frequente, figuraram em 27% dos ataques (119)", completam.
Ao discursar na ONU, a entidade apontou que está "profundamente preocupada com a intimidação de jornalistas por parte de agentes públicos, o que serve para legitimar e facilitar o clima de violência".
A organização lembrou que o governo brasileiro faz parte do grupo que patrocina uma resolução na ONU e que defende a segurança de jornalistas. "O governo brasileiro precisa assumir esses compromissos", alertou a Artigo 19.
Em resposta, o Itamaraty não fez qualquer referência ao presidente. Mas deixou claro que defende a "liberdade de expressão", uma manobra para dizer que todos têm o direito de se expressar, inclusive o chefe-de-estado. Ao pedir um direito de resposta, o governo insistiu que a Constituição protege a liberdade de expressão e proíbe a censura.
Os diplomatas declararam que o país conta com uma "imprensa livre e uma sociedade civil vibrante" e que está "lutando para defender os trabalhadores da imprensa". O Itamaraty também indicou que existe um canal para receber queixas sobre eventuais ataques.
"Reconhecemos que desafios continuam. Mas estamos comprometidos a superar todos eles", completou.
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