PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

América Latina sofrerá maior queda de PIB no mundo, prevê OMC

Sede da OMC em Genebra - DENIS BALIBOUSE
Sede da OMC em Genebra Imagem: DENIS BALIBOUSE
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

06/10/2020 10h00

Resumo da notícia

  • Entidade, porém, estima que crise no Brasil seria menos severa que restante do continente
  • OMC avalia que comércio mundial dá sinais de retomada. Mas alerta que incertezas são elevadas
  • Recuperação em 2021 não será suficiente para compensar perdas de 2020

Um dos epicentros da pandemia no mundo, a América Latina será o continente que sofrerá a maior queda do PIB e um será um dos piores em termos de contração de importações entre todas as regiões. Dados publicados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta terça-feira revelam que, em 2021, a recuperação da região será a mais fraca entre todos os continentes.

A OMC admite que, dentro do bloco, as disparidades são importantes e que o resultado comercial do Brasil tem sido menos grave que o restante do continente.

A previsão da agência é de que o PIB da América Latina sofra uma contração de 7,5% em 2020, um resultado mais grave que a média mundial, de contração de 4,8%.Na Europa, a contração será de 7,3%. Outros continentes - África e Oriente Médio - sofrerão contrações de 5,5%, 4,4% de queda na América do Norte e tombo de 2,5% na Ásia.

Para 2021, a recuperação na América Latina será a mais lenta de todas, com um salto de apenas 3,8%, contra uma média mundial de 4,9%. "A região foi duramente afetada pela pandemia", admitiu a entidade com sede em Genebra.

Em termos comerciais, a queda da importação na região será de 13,5% em 2020. Na Europa, a contração prevista é de 10%, contra 8,7% na América do Norte.

Para 2021, a importação na América Latina seria retomada com um crescimento de 6,5%. Mas, ainda assim, longe de um resultado que possa permitir uma recuperação aos níveis pré-pandemia. "Isso deixa a situação profundamente deprimida ainda", alertou a OMC.

Apesar do resultado ruim, a agência estima que a crise no Brasil poderia ser menos intensa. Em parte, isso seria resultado da resistência do setor agrícola. De acordo com a OMC, o comércio de produtos agrícolas caiu menos que a média mundial no segundo trimestre. O tombo foi de 5%, contra uma média dos outros setores de 21%, uma vez que os alimentos são uma necessidade que continuou a ser produzida e embarcada mesmo sob as mais rigorosas condições de fechamento.

Enquanto isso, o comércio de combustíveis e produtos de mineração caiu em 38%. O comércio global de mercadorias registrou seu declínio mais acentuado de um período no segundo trimestre, caindo 14,3% em comparação com o período anterior. Nesse caso, os declínios mais acentuados foram na Europa e na América do Norte, onde as exportações caíram 24,5% e 21,8%, respectivamente.

Em comparação, as exportações asiáticas foram relativamente poupadas, caindo apenas 6,1%. Durante o mesmo período, as importações caíram 14,5% na América do Norte e 19,3% na Europa, mas apenas 7,1% na Ásia.


OMC: comércio mundial sinaliza retomada, mas incertezas continuam

Segundo a projeção, depois de sofrer a maior queda de sua história num trimestre, o comércio mundial mostra sinais de recuperação. Mas a OMC fez questão de alertar que qualquer retomada pode ser interrompida pelos efeitos da pandemia e que uma recuperação completa apenas ocorreria a partir de 2022, na melhor das hipóteses.

A nova projeção indica que o comércio mundial irá encolher em 9,2% em 2020, seguido por um aumento de 7,2% em 2021. "Estas estimativas estão sujeitas a um grau de incerteza excepcionalmente alto, uma vez que dependem da evolução da pandemia e das respostas governamentais a ela", admite a entidade.

Os dados atuais sugerem que o declínio projetado é menos grave do que a queda de 12,9% que inicialmente havia sido previsto.

"O forte desempenho comercial em junho e julho trouxe alguns sinais de otimismo para o crescimento geral do comércio em 2020", indicou a agência. "O crescimento do comércio de produtos relacionados à COVID-19 foi particularmente forte nestes meses, mostrando a capacidade do comércio de ajudar os governos a obter os suprimentos necessários", explicou.

Por outro lado, a previsão para 2021 é mais pessimista e distante do que a estimativa anterior de 21,3% de crescimento. Só a partir de 2022 é que o comércio voltará aos padrões pré-pandemia.

Nesse período, o PIB mundial deve sofrer uma contração de 4,8% em 2020. No próximo ano, a expansão seria de 4,9%. "Mas isso depende muito das medidas políticas e da gravidade da doença", diz a OMC.

"Embora o declínio do comércio durante a pandemia COVID-19 seja semelhante em magnitude à crise financeira global de 2008-09, o contexto econômico é muito diferente", explicou a entidade. "A contração do PIB tem sido muito mais forte na atual recessão, enquanto a queda no comércio tem sido mais moderada", constata.

"Por exemplo, as importações na Ásia e na América do Sul deverão crescer 6,2% e 6,5% respectivamente no próximo ano", disse.