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Jamil Chade

Bilionários ficam ainda mais ricos no Brasil e no mundo durante a pandemia

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Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

07/10/2020 05h12

Resumo da notícia

  • Em uma década, fortuna na mão dos bilionários brasileiros dobrou, chegando a US$ 170 bi
  • Entre 2019 e 2020, salto no Brasil foi de cerca de US$ 50 bi
  • No mundo, empresários do setor de tecnologia e saúde foram os que mais ganharam nos últimos meses

A pandemia jogou milhões de pessoas para a pobreza, fez o desemprego dar um salto inédito, gerou uma contração inédita das economias, recolocou a fome como uma realidade e levou governos a dívidas sem precedentes.

Mas a crise também teve um outro impacto. Para os bilionários do mundo e do Brasil, a pandemia foi sinônimo de um aumento ainda maior de suas fortunas.

Um levantamento publicado nesta quarta-feira pelo banco suíço UBS constata que a fortuna na mão dos ultra-ricos atingiu um novo pico de US$ 10,2 trilhões em julho, contra US$ 8,9 trilhões no final de 2017. Os setores de tecnologia e saúde são os grandes responsáveis pelo salto, com incrementos de 43% e 50%, respectivamente.

"Aqueles que são os inovadores e os disruptores, os arquitetos da destruição criativa na economia, ainda estão aumentando sua riqueza", diz o relatório. "Já a riqueza líquida dos bilionários em entretenimento, serviços financeiros, materiais e setores imobiliários ficou para trás no resto do universo".

Não foi apenas a concentração de riqueza que aconteceu nesse grupo de ultra-ricos.

De acordo com o levantamento, o número de bilionários no mundo também aumentou. Em 2017, ele era de 2158, contra 2189 em 2020.

Mais bilionários no Brasil em 2020

No caso brasileiro, o UBS informa que o grupo dos bilionários do país detém uma fortuna de US$ 176,1 bilhões, um aumento de 99% em comparação ao volume de 2009 e acima dos US$ 127 bilhões registrados em 2019.

Em 2019, existiam 45 bilionários no país. Neste ano, o número subiu para 50. O total, porém, ainda foi maior em 2018, quando o número de ultra-ricos chegou a 58 e somaram US$ 179 bilhões.

A liderança no ranking continua sendo dos EUA, com essa parcela da sociedade com US$ 3,6 trilhões em suas mãos.

Geograficamente, a China continental foi a região que mais se beneficiou durante a década. No início de abril de 2020, havia 389 bilionários chineses, acumulando um valor total de 1,2 trilhão de dólares. Sua riqueza havia crescido quase nove vezes, em comparação com o salto de 100% nos EUA em dez anos.

Os bilionários do setor da tecnologia foram os que mais prosperaram durante a década - gerando uma polarização ainda maior nos dois últimos anos. O número de bilionários desse segmento cresceu de 68 pessoas em 2009 para 234 em 2020, enquanto o número de bilionários do setor da saúde cresceu de 48 para 167.

A riqueza total dos bilionários da tecnologia e da saúde multiplicou-se por quatro - de USD 321,3 bilhões para US$ 1,3 trilhão para tecnologia e de USD 120,8 bilhões a USD 482,9 bilhões para a saúde.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL