PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

Líderes mundiais reconhecem vitória de Biden; Brasil se mantém em silêncio

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

07/11/2020 16h34

Apesar de Donald Trump insistir que vai questionar o resultado da eleição, Joe Biden já vem recebendo uma enxurrada de reconhecimentos por parte de líderes internacionais. O governo brasileiro, por enquanto, tem se mantido em silêncio diante dos resultados eleitorais.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, foi um dos principais nomes a ignorar o posicionamento de Trump, indicando seu reconhecimento em relação à vitória de Biden e apontando que os EUA são os aliados "mais importantes" do Reino Unido. Ele indicou que compartilha as mesmas prioridades do presidente eleito, como clima, comércio e segurança.

Erna Solberg, primeira-ministra da Noruega, também emitiu um claro reconhecimento da vitória de Biden, assim como o chefe de governo da Irlanda, Michael Higgins, e os líderes do Catar, Egito, Holanda ou Ucrânia.

Na América Latina, governos de diferentes posturas ideológicas também saudaram Biden, entre eles Alberto Fernández, da Argentina, e Sebastián Piñera, do Chile, e mesmo o colombiano Iván Duque.

O silêncio do Brasil foi alvo de comentários entre diplomatas nacionais e estrangeiros, muitos deles ironizando sobre como Brasília atuaria diante da derrota de seu principal aliado. Nos últimos meses, o Itamaraty abriu mão de interesses nacionais para ajudar Trump a ganhar votos, inclusive cedendo em questões comerciais de setores exportadores do Brasil.

Se Jair Bolsonaro ficou em silêncio por enquanto, o governador João Dória ou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva optaram por se pronunciar. Dória chegou a mandar uma carta para Biden, enquanto o petista declarou nas redes sociais que o "mundo respira aliviado". Lula indicou que espera que o presidente eleito "se paute por valores humanistas que caracterizaram a sua campanha".

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, foi às redes sociais para declarar que estava "realmente ansioso para trabalhar em conjunto e desenvolver" a relação entre os dois países.

Uma das mensagens mais importantes foi a da chanceler alemã, Angela Merkel, que se recusou a aceitar o questionamento de Trump. "O público americano decidiu. Joe Biden será o 46º presidente dos Estados Unidos da América"", disse. Nos últimos dias, ela havia mandado mensagens duras contra o republicano. Por meio de seus ministros, alertou sobre o risco de uma crise constitucional e indicou que a democracia precisava de "perdedores decentes".

O presidente francês Emmanuel Macron também publicou uma mensagem no mesmo sentido: "os americanos escolheram seu presidente".

O primeiro-ministro belga Alexander De Croo, o chefe de governo da Espanha, Pedro Sanches, e a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, além de dezenas de outros líderes locais, prefeitos e governadores, também compartilharam mensagens de apoio a Biden e indicando a vontade dos europeus de trabalhar com o novo chefe da Casa Branca.

O primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, chegou a dizer que Biden tem sido um "verdadeiro amigo da Grécia".

Simbólica foi a declaração de um aliado de Trump, o presidente da Polônia, Andrzej Duda, que indicou que está comprometido em manter uma relação de "alto nível" e "parceria" com Biden.