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Jamil Chade

Reino Unido é primeira nação no Ocidente a autorizar vacina contra covid-19

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

02/12/2020 05h08Atualizada em 02/12/2020 15h18

Resumo da notícia

  • 800 mil doses começarão a ser distribuídas e aplicadas a partir da semana que vem
  • Governo garantiu 40 milhões de doses da Pfizer. 10 milhões serão entregues este ano
  • Meta do governo britânico é de que Reino Unido "volte à normalidade" a partir da Páscoa

O governo do Reino Unido é o primeiro no Ocidente a autorizar uma vacinação contra a covid-19, e as autoridades indicam que doses fabricadas pela aliança entre a Pfizer e a alemã BioNTech poderão começar a ser aplicadas na população britânica a partir da semana que vem. A medida, para técnicos da OMS (Organização Mundial da Saúde), abre uma nova era e a possibilidade de uma imunização em massa.

Nesta quarta-feira, a agência reguladora britânica aprovou o uso da vacina desenvolvida pelo consórcio. Hospitais e profissionais de saúde deverão ser os primeiros a se beneficiarem da imunização e o governo indica que reservou 40 milhões de doses, que começarão a desembarcar das fábricas da empresa na Bélgica.

Para a próxima semana, um primeiro abastecimento de 800 mil doses será realizado e a ideia é de que a aplicação comece a ocorrer na mesma semana. Cada pessoa terá de tomar duas doses.

A meta do governo britânico é de que, até a Páscoa de 2021 o país possa começar a "retornar à normalidade", mesmo que milhões de pessoas ainda não estejam vacinadas. O Reino Unido é formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

No Brasil, porém, o Ministério da Saúde acenou que a vacina da Pfizer não será usada por conta das dificuldades de sua aplicação.

Na OMS, a notícia sobre a aprovação britânica foi comemorada, já que a aposta é que a vacina seja hoje a única forma de frear a expansão do novo coronavírus, que já fez quase 1,5 milhão de mortos pelo mundo. A informação foi divulgada nas redes sociais do próprio diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus.

Reino Unido tem acordos para duas doses por pessoa a toda sua população

Nem todos na Europa consideraram o gesto britânico como sendo o mais adequado. Peter Liese, eurodeputado alemão e aliado de Angela Merkel, alertou que "o mais correto" teria sido esperar uma aprovação por parte da agência reguladora europeia, o que deve ocorrer nas próximas semanas. "Considera a decisão (britânica) como sendo problemática", disse.

No total, o Reino Unido fechou acordos com diferentes empresas para garantir um abastecimento de vacinas suficientes para duas vezes sua população.

Em Londres, as autoridades deixaram claro que, apesar do processo acelerado de aprovação a segurança não foi comprometida. "O governo aceitou hoje a recomendação da Agência Reguladora independente de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) para aprovar a vacina covid-19 da Pfizer-BioNTech para uso", disse a administração em comunicado.

"Isto ocorre depois de meses de rigorosos testes clínicos e uma análise minuciosa dos dados por especialistas que concluíram que a vacina cumpriu seus rigorosos padrões de segurança, qualidade e eficácia", garantiu.

Profissionais de saúde, idosos e doentes terão prioridade

Além dos profissionais de saúde, idosos em residências de repouso e pessoas clinicamente vulneráveis também devem estar entre os primeiros a serem vacinados.

A Pfizer, que desenvolveu o produto com a BioNTech, afirma que os resultados clínicos indicaram uma eficácia de 95% de sua vacina, tanto para idosos como entre os mais jovens.

O Secretário de Saúde Matt Hancock disse que o programa começaria no início da próxima semana e que os hospitais já estavam prontos para receber as doses. "É uma notícia muito boa", completou.

"Momento histórico"

Para a empresa, a autorização de uso emergencial no Reino Unido é um momento histórico na luta contra a pandemia. De acordo com a Pfizer e a BioNTech, elas fornecerão 50 milhões de doses de vacina em 2020 e 1,3 bilhão de doses até o final de 2021.

"Esta autorização é um objetivo pelo qual temos trabalhado desde que declaramos pela primeira vez que a ciência vencerá, e aplaudimos as autoridades por sua capacidade de conduzir uma avaliação cuidadosa e tomar medidas oportunas para ajudar a proteger o povo do Reino Unido", disse o CEO da empresa, Albert Bourla.

A empresa acredita que, nas próximas semanas, novas autorizações sejam anunciadas. A UE (União Europeia) comprou 200 milhões de doses, enquanto os Estados Unidos reservaram outras 100 milhões.

Um dos principais obstáculos, porém, se refere ao fato de que as vacinas da Pfizer precisam ser mantidas a uma temperatura de -70 graus Celsius. Ainda que a empresa indique o estoque pode ocorrer em frigoríficos normais por cinco dias, a logística é um problema real para dezenas de países.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL