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Jamil Chade

Em carta, Unicef pede que prefeitos priorizem reabertura das escolas 

 Sala de aula vazia de escola municipal que atende cerca de 500 crianças no ensino infantil e fundamental.  Os alunos estão sem aula por causa do Covid- -  Foto: DIRCEU PORTUGAL/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Sala de aula vazia de escola municipal que atende cerca de 500 crianças no ensino infantil e fundamental. Os alunos estão sem aula por causa do Covid- Imagem: Foto: DIRCEU PORTUGAL/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

07/01/2021 10h00

Numa carta enviada aos prefeitos e prefeitas recém empossados pelo Brasil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) pede que as autoridades deem "prioridade absoluta à educação e à reabertura segura das escolas", diante da pandemia da covid-19.

As escolas devem ser as últimas a fechar e as primeiras a reabrir em qualquer emergência ou crise humanitária", aponta a carta, destinada às novas lideranças municipais, num momento crítico da pandemia no país.

"O longo tempo de fechamento da maioria das escolas e o isolamento social têm impactado profundamente a aprendizagem, a saúde mental e a proteção de crianças e adolescentes", alertou a carta assinada por Florence Bauer, representante da agência internacional no Brasil.

Apesar dos esforços para organizar atividades remotas para dar continuidade aos estudos, milhões de crianças e adolescentes não foram alcançados e perderam o vínculo com a escola. "Elas e eles correm o risco de abandonar a educação definitivamente. Isso vai aprofundar ainda mais as desigualdades e impactar uma geração inteira", alerta.

Pela Europa, a nova onda de confinamento adotado desde novembro não fechou escolas. A opção foi a de restringir a movimentação das pessoas diante da força da transmissão do vírus. Mas mantendo as escolas em funcionamento. Mesmo assim, de acordo com dados coletados pela Unesco, uma em cada cinco crianças estava fora das escolas pelo mundo em dezembro, um total de 320 milhões.

No caso brasileiro, uma preocupação especial ocorre diante da desigualdade social e o que isso significa em termos de acesso às tecnologias digitais.

As escolas ainda representam a oportunidade de "proteção contra diferentes formas de violência -incluindo a violência doméstica, que aumentou na pandemia". "Além disso, um número considerável de crianças e adolescentes depende da merenda escolar para sua segurança alimentar", diz o texto.

A Unicef admite que muitas famílias, professores e outros profissionais de educação estão preocupados com o risco de contaminação com o coronavírus nas escolas. "A Unicef compartilha dessa preocupação. No entanto, a experiência em muitos países demonstra que a reabertura das escolas não causou um aumento das infecções", indicou. A posição, de fato, é a mesma adotada pela OMS.

"É fundamental empreender todos os esforços necessários para que as escolas de educação básica reabram no início deste ano escolar, em segurança. É um momento-chave que não podemos deixar passar", diz a entidade aos prefeitos.

De acordo com a entidade, a forma da reabertura tem de ser adaptada à situação local e pode incluir elementos de educação híbrida, uma mistura de educação presencial e a distância, rodízio de estudantes em grupos pequenos e outras medidas.

A instituição também indica que essa deve ser uma decisão que envolva consulta com professores, demais profissionais da educação, estudantes, seus familiares e a comunidade escolar.

Na carta, a Unicef ainda se coloca à disposição para apoiar todos os municípios brasileiros e faz referência ao seu protocolo de reabertura segura das escolas.

"Além de dar início ao novo ano letivo, é essencial ir atrás de cada menina, cada menino que não conseguiu se manter aprendendo na pandemia. Antes da Covid-19, já estavam fora da escola 1,5 milhão de crianças e adolescentes. Cada dia sem esse vínculo escolar aumenta o risco de abandono permanente. É preciso ir em busca de todas as crianças e todos os adolescentes, sem deixar nenhuma ou nenhum para trás", defendeu.

No texto, a agência ainda convida municípios a aderir à iniciativa Busca Ativa Escolar, como uma medida para enfrentar a exclusão escolar, um dos efeitos secundários da pandemia.