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Jamil Chade

Com vacinas, OMS aposta no controle da pandemia nos próximos doze meses

OMS alerta: próxima pandemia pode ser mais grave que COVID-19 - Profissionais de saúde em Seul, na Coreia do Sul, transferindo um paciente com COVID-19 de uma ambulância para um hospital em março. Foto: Chung Sung-Jun (Getty Images)
OMS alerta: próxima pandemia pode ser mais grave que COVID-19 Imagem: Profissionais de saúde em Seul, na Coreia do Sul, transferindo um paciente com COVID-19 de uma ambulância para um hospital em março. Foto: Chung Sung-Jun (Getty Images)
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

08/01/2021 07h47

Resumo da notícia

  • Entidade aponta que 42 países iniciaram vacinação. Mas 36 deles são economias ricas
  • UE anunciou reserva de mais 300 milhões de doses e um estoque total de 2,6 bi
  • Temor da OMS é de que países em desenvolvimento fiquem em segundo plano no acesso aos produtos

O início da vacinação contra a covid-19 em diversos países abriu uma nova fase na luta contra a pandemia. Ainda que os gargalos de distribuição sejam reais, que o produto seja escasso para a grande parte do mundo e que o vírus continue ganhando força, a expectativa da entidade é de que a pandemia possa ser controlada até o final de 2021. Isso não significa a erradicação da doença ou o desaparecimento do vírus.

Mas um cenário no qual sociedades e os serviços de saúde poderiam conviver com a presença da covid-19 sem que ela seja uma ameaça aguda. "As vacinas estão nos dando esperança real de controlar a pandemia nos próximos 12 meses", disse Tedros Gebreyesus, diretor-geral da OMS, em um encontro fechado com governos na quinta-feira.

Mas a OMS alerta que as disparidades entre países ricos e países em desenvolvimento se aprofundam. Dos 42 países que iniciaram a vacinação, 36 deles são economias desenvolvidas, além de outras seis países de renda média-alta, como Chile ou México.

Nenhum dos 92 países mais pobres do mundo pode, até agora, iniciar qualquer tipo de distribuição de vacinas.

"Isso é claramente um problema e este problema está se agravando porque alguns países estão buscando novos negócios fora da COVAX oferecendo preços mais altos", alertou Tedros. A Covax é a aliança de vacinas criada pela OMS para garantir o abastecimento do produto a diferentes países pelo mundo.

"Isso compromete nosso compromisso coletivo de acesso equitativo. Temos que tomar medidas para resolver isto", alertou. Segundo ele, a comunidade precisa garantir que haja uma distribuição mais rápida e equitativamente a todos os países. "Temos uma responsabilidade coletiva de tornar isto uma realidade", afirmou.

"A história não nos julgará gentilmente se falharmos com os países de baixa e média renda em sua hora de necessidade e compartilhar é do melhor interesse de cada um e de todos os países. Só podemos nos recuperar mais rapidamente como uma comunidade global compartilhando a vacina", defendeu.

Nesta sexta-feira, a UE anunciou que estava dobrando suas encomendas para a Pfizer, para garantir 300 milhões de novas doses da vacina. No total, o bloco já encomendou 2,3 bilhões de doses de seis empresas diferentes.

Há ainda um risco, segundo fontes na OMS, de que o produto fabricado na Índia seja deslocado acima de tudo para países ricos, deixando o abastecimento da Covax ameaçado.

A OMS insiste que já conta com acordo com as empresas para o fornecimento de 2 bilhões de doses até o final de 2021. Mas não conta, pelo menos até agora, com os recursos necessários para garantir essa compra.