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Jamil Chade

Doria reclama de "negacionistas" e leva postura anti-Bolsonaro a Davos

Governador de São Paulo usa palco internacional para se colocar como figura oposta ao presidente Bolsonaro -                                 ANTONIO MOLINA / ESTADãO CONTEúDO
Governador de São Paulo usa palco internacional para se colocar como figura oposta ao presidente Bolsonaro Imagem: ANTONIO MOLINA / ESTADãO CONTEúDO
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

26/01/2021 04h00

O governador de São Paulo, João Doria, usará sua participação no Fórum Econômico Mundial nesta terça-feira para fazer um contraponto ao presidente Jair Bolsonaro no palco internacional e defender "a vida e a ciência".

Neste ano, por conta da pandemia, o evento não ocorre na tradicional estação de esqui de Davos (Suíça). Durante a semana, os debates estão sendo realizados de maneira virtual e contarão com os líderes de algumas das maiores economias do mundo, além de presidentes sul-americanos como Alberto Fernandez, da Argentina.

Os organizadores convidaram Bolsonaro, que optou por não atender ao pedido pelo segundo ano consecutivo. Em seu lugar, o governo federal será representado pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, e pelos ministros Paulo Guedes (Economia) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Caberá ao chanceler falar de "geopolítica", num momento em que cresce a pressão interna por uma mudança no Itamaraty.

Mas o primeiro participante brasileiro em Davos será Doria. Oficialmente, o evento está sendo organizado para tratar das realidades das cidades. Mas o próprio governador indicou à coluna que adotará um discurso que tratará da pandemia e da situação no país.

"Farei uma defesa da vida, para que no Brasil tenhamos o exemplo da ciência e da proteção aos brasileiros, seguindo as orientações sanitárias e continuando a promover o que chamamos de Plano São Paulo", explicou o governador.

Chamando Bolsonaro de "notório negacionista", Doria "lamenta que o presidente não tenha seguido as orientações da OMS [Organização Mundial da Saúde]". Outro participante do evento global desta semana será o diretor-geral da agência internacional, Tedros Ghebreyesus.

Sem vidas, não há economia, afirma Doria

O governador ainda aponta para a pressão que enfrenta por parte de empresários incentivados pela visão do governo federal sobre a abertura da economia.

"Sem vidas não há economia", disse Doria. "Não é fácil fazer o enfrentamento a negacionistas e aos estímulo de negacionistas, a empresários muito vezes gananciosos ou iludidos com a possibilidade de que tudo possa ser liberado e que não fará diferença no controle da doença", afirmou o governador.

A participação de Doria ocorre num momento em que a pressão internacional contra o governo Bolsonaro ganha força, com governos estrangeiros questionando as atitudes do presidente, denúncias nos organismos internacionais e um isolamento crescente em diversas áreas.

Já o governador de São Paulo passou a ser um convidado frequente de Davos e falará a uma audiência que assumiu que o comportamento de governos como o de Donald Trump ou de Bolsonaro adiam a retomada da economia mundial. Em debates organizados na segunda-feira, a necessidade de controlar o vírus e afastar teorias conspiratórias fizeram parte dos apelos de alguns dos principais líderes do setor privado.

Em maio, Doria também estará no evento que o Fórum vai realizar em Cingapura, a primeira reunião presencial do grupo.