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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Covax enviará volume inferior de vacinas que anunciado pelo governo

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Gebreyesus, durante entrevista coletiva em Genebra -
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Gebreyesus, durante entrevista coletiva em Genebra
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

01/03/2021 14h05

O Brasil receberá ainda neste mês as primeiras doses de vacinas a partir da Covax, a aliança criada para garantir a distribuição de imunizantes pelo mundo. Os volumes, porém, serão inferiores ao que o governo havia anunciado e ainda não há uma data estabelecida.

Na sexta-feira, a coluna revelou que o Brasil receberá 2,99 milhões de doses do imunizante no mês de março. Entre abril e maio, outras 6,1 milhões de doses chegarão ao país. Todas as vacinas são da AstraZeneca.

Na semana passada, a aliança pode finalmente dar início à distribuição de vacinas aos países pobres, com remessas de doses para Gana e outros países africanos. O início com o continente africano, porém, gerou críticas em outros continentes do mundo.

A OMS, porém, se defende, alegando que as primeiras doses estão sendo enviadas para os países que tinham suas documentações preparadas para a chegada das doses.

No caso do Brasil, fontes confirmam que o país estava preparado. Mas as compras estão ocorrendo diretamente com os fornecedores e, portanto, não passam pelos gestores em Genebra, e sim pela Organização Panamericana de Saúde. Ainda assim, o governo foi informado que 2,99 milhões de doses foram reservadas para o mês de março.

No mês passado, a entidade já tinha declarado que o Brasil receberia um total de 10 milhões de doses das vacinas da AstraZeneca e que esse volume chegará ao país até junho, começando com entregas limitadas a partir do final de fevereiro ou início de março. O restante da encomenda de 42 milhões de doses ficaria apenas para o segundo trimestre. Mas esse volume dependeria da disponibilidade de produção.

Os dados de 9,1 milhões de doses se contrastam com o anúncio do Ministério da Saúde que, no fim de semana, disse que o Brasil receberia entre 10 milhões e 14 milhões de doses "a partir de fevereiro".

No total, cerca de 145 países receberão doses da aliança. Em proporção ao tamanho de suas populações, alguns outros países receberão mais que o Brasil. A República Democrática do Congo, por exemplo, terá 7 milhões de doses. Mas com uma população que não chega a ser sequer metade da brasileira.

De acordo com o mapeamento apresentado, cinco países receberão mais doses em números absolutos que o Brasil:

Índia - 97 milhões de doses

Paquistão - 17 milhões de doses

Nigéria - 16 milhões de doses

Indonésia - 13,7 milhões de doses

Bangladesh - 12 milhões de doses

O Brasil, ao assinar o contrato com a aliança, optou por fazer o menor pedido possível no acordo que era proposto. O governo solicitou doses para apenas 10% de sua população.

A Covax admitiu que, no primeiro semestre, irá enviar aos países mais pobres 250 milhões de doses, 153 milhões a menos do que estava planejando.