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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Brasil fica de fora da primeira leva de fornecimento de vacinas da Covax

                                 Pedido da Pfizer é o segundo recebido pela Anvisa nos últimos dias                              -                                 JUSTIN TALLIS / AFP
Pedido da Pfizer é o segundo recebido pela Anvisa nos últimos dias Imagem: JUSTIN TALLIS / AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

02/03/2021 07h17

Resumo da notícia

  • Aliança garante 2,9 milhões de doses para março para o Brasil. Mas data ainda não foi estabelecida.
  • Colômbia, Bolívia, Peru e El Salvador serão os primeiros a receber nas Américas.
  • Doses da vacina da Pfizer serão entregues para 18 países das Américas. Mas Brasil não faz parte.
  • Até final de maio, Brasil receberá 9,1 milhões de doses da Covax, quinto maior destino de distribuição das vacinas entre os emergentes.

O Brasil ficou de fora da primeira leva de vacinas entregues pela Covax, a aliança mundial criada para garantir uma distribuição de doses aos países em desenvolvimento. Nesta semana, a entidade anunciou que o fornecimento no continente americano começou pela Colômbia, com o imunizante da Pfizer/BioNTech.

Nos próximos dias, as mesmas vacinas chegarão ao Peru, El Salvador e Bolívia. As doses da Pfizer/BioNTech serão entregues para um total de 18 países das Américas. Mas o Brasil não faz parte desse bloco e, pelo menos por enquanto, não existe data para a chegada dos produtos no país. A aliança garante que as doses chegarão ainda em março.

De acordo com Seth Berkley, executivo da GAVI (fundo de vacinas), a Pfizer fez exigências específicas para que governos assumissem responsabilidade legais pelas doses e ainda colocou critérios para a preparação dos países.

Um dos argumentos usados para justificar o fornecimento a esses países de forma prioritária é a ausência de contratos bilaterais desses governos com empresas farmacêuticas, principalmente os mais pobres.

Mas fontes em Brasília indicaram que o país ainda precisa completar "procedimentos burocráticos" para permitir a compra das doses. Foi apenas nesta segunda-feira que o presidente Jair Bolsonaro considerou a medida provisória que autoriza o Brasil a fazer parte da Covax. A MP tramitou pelo Senado e Câmara, onde foi alvo de alterações.

Ao Brasil, a Covax destinará vacinas da AstraZeneca e a entidade garante que, "nas próximas semanas", todos os 36 países da região receberão os produtos.

9,1 milhões de doses até final de maio

O volume destinado ao Brasil, porém, será bem inferior ao que o governo anunciou, em fevereiro. Naquele momento, o Ministério da Saúde indicou que receberia entre 10 milhões e 14 milhões de doses. Mas os números eram apenas previsões iniciais. Na sexta-feira, a aliança de vacinas confirmou à coluna que destinará no primeiro semestre do ano apenas 9,1 milhões de doses.

2,9 milhões irão ainda em março. Mas a data ainda não está estabelecida. Para o segundo semestre, o país receberá o restante das 42 milhões de doses que solicitou.

No caso da Colômbia, 117 mil doses da Pfizer/BioNTech já começarão a ser administradas nesta semana. Até o final do ano, o país espera receber 20 milhões de doses da Covax.

Com 50 milhões de casos conformados e 1,2 milhão de mortes, os países das Américas precisarão imunizar 700 milhões para controlar a pandemia.

Maior campanha de vacinação da história

No mundo, as primeiras distribuições da aliança até maio permitirão que 237 milhões de doses cheguem a 142 países. Volumes superiores aos do Brasil serão recebidos pelo Paquistão (14,6 milhões de doses), Nigéria (13,6 milhões), Indonésia (11,7 milhões) e Bangladesh (10,9 milhões).

De acordo com o diretor-executivo da OMS, Tedros Ghebreyesus, a aliança irá distribuir um total de 11 milhões de doses nesta semana, inclusive para Camboja, Angola e Nigéria. Mesmo governos de países mais ricos, como a Coreia do Sul, também receberam doses da Pfizer.

Berkley indicou que os planos preveem 2,3 bilhões de doses nos países mais pobres até o final de 2021. "Essa é a maior campanha de vacinação da história", disse.

Mas os desafios da aliança continuam. Maria Flachsbarth, ministra alemã, insiste que o mecanismo precisa ainda de US$ 22 bilhões para o ano e alerta que a necessidade de acelerar a vacinação é a única forma de impedir que mutações do vírus ocorram. "Para chegar a esse volume, precisamos ter mais doadores", indicou.