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Jamil Chade

Brasil só terá imunidade com vacina em abril de 2022

Pazuello cumprimenta Bolsonaro - Carolina Antunes/PR
Pazuello cumprimenta Bolsonaro Imagem: Carolina Antunes/PR
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

10/03/2021 04h00

O Brasil apenas atingirá uma imunidade de rebanho por meio da vacina contra a covid-19 em abril de 2022. Isso significaria que o país precisará esperar ainda mais de um ano para que 75% de sua população seja atendida pela vacinação.

Os dados são da consultoria Airfinity, usada pelo setor farmacêutico global como principal fonte de informações e inteligência sobre o ritmo de vacinação no mundo e acordos com a indústria.

A data foi calculada com base nos acordos já fechados pelo governo com empresas farmacêuticas e a capacidade nacional de produção.

De acordo com os dados da entidade e obtidos pela coluna, o Brasil poderá vacinar todas as pessoas de maior risco e os trabalhadores do setor de saúde até o começo de agosto, o que representa continuar a viver sob uma ameaça elevada do vírus por mais quatro meses.

Os dados oficiais do governo indicam que 5,4% dos brasileiros foram beneficiados de pelo menos uma dose da vacina. Já aqueles com duas doses já aplicadas representam apenas 1,8% do país.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil não tem alternativa e, se quiser frear o vírus, terá de adotar medidas de controle social de forma imediata.

Segundo o levantamento da consultoria, o ritmo ainda revela que outras regiões do mundo conseguirão atingir a imunidade de rebanho por meio da vacina com meses de antecipação, em comparação ao Brasil.

No caso dos EUA, a população de maior risco estará plenamente vacinada até o final de abril de 2021 e, pela projeção, 75% dos americanos estarão imunizados em agosto ainda deste ano.

No Reino Unido, o segmento de maior risco deve completar a vacinação em maio, incluindo profissionais de saúde e idosos. Já o país atingirá uma imunidade de rebanho na última semana de agosto de 2021.

Uma previsão também positiva é desenhada sobre o Canadá, com imunidade de rebanho pela vacina até meados de julho. Nada, porém, supera a rapidez dos israelenses. Segundo o levantamento, em maio o país já atinge a vacinação em 75% de sua população.

Apesar de todos os obstáculos, a expectativa da consultoria é de que a UE também acelere as campanhas de vacinação e que, no final de agosto, o bloco consiga uma imunidade de rebanho.

No Japão, sede das Olimpíadas, junho será a marca para completar a vacinação de sua população de risco. Só em outubro é que o país estará com 75% de cobertura na vacinação.

Já os chineses, com mais de 1,3 bilhão de habitantes, vivem uma situação diferente. A previsão da consultoria é de que o país consiga imunizar 20% de sua população até o final de maio. Mas atingir 75% dos habitantes exigirá um esforço que irá durar até junho de 2022.