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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Além de Bolsonaro, Biden inclui líder indígena em agenda da Cúpula do Clima

O presidente Jair Bolsonaro coloca máscara durante evento no Planalto, nesta segunda (22) - Ueslei Marcelino/Reuters
O presidente Jair Bolsonaro coloca máscara durante evento no Planalto, nesta segunda (22) Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

21/04/2021 11h47Atualizada em 21/04/2021 15h04

O governo americano de Joe Biden não irá apenas ouvir Jair Bolsonaro, em sua cúpula que começa amanhã e que marcará uma nova etapa do debate sobre mudanças climáticas. Na programação divulgada pela Casa Branca, o encontro também contará com uma liderança indígena brasileira.

Horas depois de Bolsonaro tomar a palavra para dizer qual tem sido sua política ambiental e anunciar eventuais compromissos, será a vez da fala de Sinéia do Vale, da etnia wapichana da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e representando o Conselho Indígena de Roraima.

Seu debate ocorrerá num painel que será moderado pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA e que contará ainda com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, o governador de Tóquio, o governador do estado de Novo México e o presidente do congresso nacional de indígenas americanos.

"Essa sessão irá destacar os esforços críticos de atores não estatais e subnacionais que estão contribuindo para uma recuperação verde e trabalhando de forma estreita com governos nacionais para fazer avançar a ambição climática e resiliência", explicou a Casa Branca.

Nos últimos dias, cartas têm proliferado ao governo de Biden alertando sobre os riscos de se negociar com Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Um dos temores é que a Casa Branca acabe aceitando um eventual compromisso assumido por Brasília, sem garantias de como tais metas serão atingidas.

O próprio presidente Bolsonaro escreveu para Biden para reforçar sua intenção de se comprometer com metas ambiciosas, ainda que tenha insistido que tal gesto precisará ocorrer de forma paralela a uma ajuda financeira significativa por parte dos países ricos.

Numa entrevista que a líder indígena concedeu em 2020 à revista eletrônica A Coletiva, Sinéia afirmou que "o Ministério do Meio Ambiente está totalmente parado, o comitê gestor e câmara técnica não estão mais funcionando".

"Temos que pensar que esta questão do clima é uma emergência e temos que atuar, mesmo que o governo pare, é uma necessidade das comunidades indígenas e de nossas organizações, no Brasil e em outros lugares do mundo", disse.

"Nosso enfrentamento às mudanças climáticas não para quando os governos param, quando as câmaras técnicas deixam de funcionar, continuamos a fazer nosso trabalho", afirmou.

"O enfrentamento não pode parar pois o aquecimento está se agravando, e agrava junto com estas pandemias como a do coronavírus, esta que estamos vivendo, ou com o aumento dos desmatamentos na Amazônia e em outros lugares. Nossa resistência indígena é maior que as políticas que vão e vêm", completou.

Na programação da cúpula também estão nomes como o do papa Francisco, Bill Gates, Xi Jinping e Vladimir Putin, além de representantes do movimento de jovens.