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Jamil Chade

Brasil vota contra resolução na OMS que pede garantia de saúde a palestinos

Fumaça e chamas em Gaza durante ataque aéreo de Israel  - Ibraheem Abu Mustafa/Reuters
Fumaça e chamas em Gaza durante ataque aéreo de Israel Imagem: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

26/05/2021 13h15

Resumo da notícia

  • Além do Brasil e Israel, apenas doze países votaram contra a resolução que ainda pede garantia de vacinas nos territórios ocupados
  • Documento foi aprovado com mais de 80 votos a favor, incluindo de países como Argentina, França, Japão, Espanha e Chile
  • Queda de Ernesto Araújo não resultou em mudança de postura do Brasil nos órgãos internacionais no debate sobre a situação palestina

O governo de Jair Bolsonaro votou nesta quarta-feira contra uma resolução apresentada na OMS (Organização Mundial da Saúde) pedindo que a situação de saúde dos palestinos fosse avaliada e que a crise sanitária nos territórios ocupados seja atendida pela agência internacional, inclusive com acesso às vacinas contra a covid-19.

O projeto liderado por países árabes foi aprovado com 83 países a favor e apenas 14 governos contrários. 39 países ainda optaram por se abster.

Além do Brasil, votaram contra a proposta tradicionais aliados de Israel como EUA, Austrália, Áustria e Reino Unido. Mas também governos de extrema-direita, como Hungria. O argumento é de que a Assembleia Mundial da Saúde não é o local para lidar com a situação de tensão entre palestinos e israelenses.

"Ao votar contra a resolução, esses países reconheceram que a politização precisa acabar", disse a delegação de Israel ao final do voto. Para o governo israelense, os palestinos estão "sequestrando" a OMS e a resolução está "desconectada da realidade".

Desde 2019, o governo Bolsonaro abandonou a tradicional postura do Brasil na questão palestina e se aproximou de uma forma clara do governo de Benjamin Netanyahu.

Com a queda de Ernesto Araújo de seu cargo de chanceler, o novo chefe da diplomacia brasileira, Carlos França, deu sinais de que iria buscar uma postura mais equilibrada na relação entre árabes e israelenses. Mas, na OMS, o voto do Brasil não mudou e o apoio aos israelenses continua.

Diversos países escandinavos alertaram que estão preocupados com a situação de saúde nos territórios palestinos. Mas que optaram por se abster no voto por não achar que a OMS seja o local adequado para que a crise seja lidada. Esses governos, porém, não votaram contra a resolução.

Para a delegação palestina, essas são apenas "desculpas" para justificar a as ações de Israel. "Muitos de vocês votaram a favor dessa mesma resolução no passado. O que mudou", disse a diplomacia palestina.

Na América do Sul, o governo da Argentina tomou a palavra para denunciar a situação de saúde dos palestinos, enquanto Peru, Paraguai, Equador, Chile, México e Bolívia também apoiaram o texto. França, Espanha, Japão, Rússia e China votaram a favor da resolução.

O documento é aprovado num momento de duras críticas diante dos resultados da ofensiva militar de Israel em Gaza, com mais de 200 mortos. O governo de Benjamin Netanyahu ainda foi criticado por não ter adotado o mesmo ritmo de vacinação para a população israelense e palestina.

A resolução aprovada pede que a OMS apoie "o setor de saúde palestino" e que assegure "a aquisição sustentável de vacinas e medicamentos e equipamentos médicos pré-qualificados da OMS para o território palestino ocupado".

O documento também pede que se assegure "acesso não discriminatório, acessível e equitativo às vacinas contra a covid-19", incluindo em Jerusalém Oriental e em Golã.

A resolução ainda pede "respeito e a proteção da população ferida e dos feridos, dos trabalhadores da saúde e da ajuda humanitária, dos sistemas de saúde, de todo o pessoal médico e humanitário, assim como hospitais" nos territórios ocupados.