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Jamil Chade

Trabalho infantil sofre salto de 26% em SP, diz Unicef

Menino pobre cata lixo no lixão, pobreza, trabalho infantil, exploração, criança trabalhando - iStock
Menino pobre cata lixo no lixão, pobreza, trabalho infantil, exploração, criança trabalhando Imagem: iStock
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

09/06/2021 21h00

Resumo da notícia

  • Mundo soma 160 milhões de crianças nesta situação e crise aumenta pela primeira vez em décadas
  • Pandemia ameaça jogar mais 46 milhões de menores no exército de trabalhadores

Um informe publicado pela Unicef e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) revela que, pela primeira vez em décadas, o número de vítimas do trabalho infantil aumenta e atinge 160 milhões de crianças no mundo. A crise, porém, pode ser ainda mais profunda diante do impacto da pandemia.

Em São Paulo, as entidades destacam um aumento de 26% no trabalho infantil nas residências assistidas pela Unicef, entre maio e julho de 2020.

Num levantamento que é publicado uma vez a cada quatro anos, as entidades aponta que houve um aumento no mundo de 8,4 milhões de crianças trabalhando em 2020, com milhões a mais em risco devido aos impactos da pandemia.

Um dos cenários aponta para 9 milhões de crianças extras ao final de 2022 nessa situação. Mas, sem um apoio amplo, 46 milhões de outras crianças poderão se somar ao exército de trabalhadores.

O temor das entidades é de que o progresso para acabar com o trabalho infantil estagnou pela primeira vez em 20 anos, revertendo a tendência anterior de queda. 94 milhões de crianças foram retiradas dessa situação entre 2000 e 2016.

O relatório aponta para um aumento significativo do número de crianças de 5 a 11 anos de idade em trabalho infantil. Das 160 milhões de menores nessa situação, 79 milhões estão em empregos considerados como perigosos.

"Esses são números anteriores à pandemia", alertou Guy Ryder, diretor-geral da OIT. "Estamos em um momento crucial e muito depende de como respondemos".

Na África, mais 16,6 milhões de crianças foram somadas ao exército que trabalha durante os últimos quatro anos. Mesmo em regiões onde houve algum progresso desde 2016, como a Ásia e a América Latina, a pandemia está pondo em perigo esse progresso.

Pandemia deve ampliar a crise

Na avaliação das entidades, os choques econômicos e o fechamento de escolas causados pela pandemia significam que as crianças já em situação de trabalho infantil podem estar trabalhando mais horas ou em condições piores, enquanto muitas outras podem ser forçadas às piores formas de trabalho infantil devido à perda de emprego e renda entre famílias vulneráveis.

"Estamos perdendo terreno na luta contra o trabalho infantil", disse a diretora-executiva da Unicef, Henrietta Fore. "Agora, em um segundo ano de fechamento de escolas, interrupções econômicas e redução dos orçamentos nacionais, as famílias são forçadas a fazer escolhas que destroem o coração", lamenta.

Hoje, 70% das crianças que trabalham estão na agricultura, contra 20% em serviços.