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Jamil Chade

Indianos alegam que preço da Covaxin ao Brasil segue tabela para o mundo

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

23/06/2021 13h16

A empresa Bharat Biotech, que produz a vacina Covaxin contra a covid-19, afirma que tem praticado um preço "transparente" em todas suas exportações de doses, sugerindo que o valor estipulado em acordo com o Brasil está dentro da previsão e da tabela estipulada pela companhia para o mercado internacional.

A companhia também deixa claro que, em suas vendas no mercado privado e exportações, tenta "compensar" parte dos custos com a venda subsidiada para o mercado doméstico indiano.

"A Bharat Biotech tem sido consistente e transparente em seus preços da COVAXIN® para fornecimentos a governos internacionais, o que foi indicado entre US$ 15 - 20 / dose, já anunciado publicamente", disse a empresa, num comunicado nesta quarta-feira. "Os suprimentos foram feitos para vários países nestes pontos de preços e vários países adicionais estão aguardando remessas nas semanas e meses que virão", disse.

No Brasil, o Ministério Público Federal investiga o contrato assinado com os indianos, em fevereiro de 2021. O governo pagou US$ 15,00 por cada uma das 20 milhões de doses que contratou, o maior valor por unidade entre todas as vacinas compradas pelo governo.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, na segunda-feira, o valor seria 1000% superior ao que foi indicado em telegramas do Itamaraty, meses antes. Em 2020, a diplomacia estimava que o valor seria de US$ 1,34 por dose, cerca de 100 rúpias.

Num outro comunicado no dia 15 de junho, a empresa confirma que existe uma diferença entre o preço praticado para o mercado doméstico indiano e para o setor privado.

"O preço de fornecimento da Covaxin ao governo da Índia de 150 rúpias / dose, é um preço não competitivo e claramente não sustentável no longo prazo", disse. "Portanto, um preço mais alto no mercado privado é exigido para compensar parte do custo", indicou.

Nesta quarta-feira, a empresa indiana ainda insiste que o preço praticado para o mercado internacional varia entre US$ 15,00 e US$ 20,00.

A empresa indiana ainda explicou sua relação com a Precisa Medicamentos, suspeita de ter atuado como intermediária. "A parceria da Bharat Biotech com a Precisa Medicamentos envolve o apoio a apresentações regulamentares, aprovações e licenciamentos para a COVAXIN", disse. "Além disso, a Precisa Medicamentos conduzirá um grande ensaio clínico Fase III no Brasil, que deverá ter início durante o terceiro trimestre de 2021", explicou.

"A aquisição e fornecimento da COVAXIN para o governo brasileiro será executada diretamente entre a Bharat Biotech e o Ministério da Saúde", disse.

"Embora os orçamentos para as compras da COVAXIN tenham sido alocados, até a data não foi feito nenhum fornecimento para o Brasil. A Bharat Biotech tem a capacidade de fabricação para fornecer as quantidades necessárias ao Brasil, aguardando aprovações e recebimento de ordens de compra de agências de compras no Brasil", declarou.

Segundo a Bharat Biotech, a empresa expandiu sua área de produção para 4 cidades na Índia e está explorando ativamente parcerias de fabricação em todo o mundo, para atender a demanda global.

"A COVAXIN recebeu autorizações de uso emergencial na Índia, no Brasil e em treze outros países", apontou. "Registros também estão em processo em mais de 50 países em todo o mundo, incluindo EUA e países europeus", completou.