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Jamil Chade

Covax corta previsão de vacinas para América Latina e pode afetar Brasil

Chegada das 1,5 milhão de doses da vacina Janssen no aeroporto de Guarulhos (SP) - Reprodução/TV Brasil
Chegada das 1,5 milhão de doses da vacina Janssen no aeroporto de Guarulhos (SP) Imagem: Reprodução/TV Brasil
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

24/06/2021 07h14

A Covax Facility, o mecanismo criado pela OMS para distribuir vacinas aos países mais pobres do mundo, corta de forma radical a previsão de entrega de vacinas para os países da América Latina.

A medida pode afetar o Brasil, que esperava 10 milhões de doses até o final do primeiro semestre. As entregas somaram 60% dessa previsão até agora para o país.

Em janeiro de 2021, a entidade publicou uma previsão de que, até o final de junho, 95 milhões de doses estariam nos países da região. Agora, a nova estimativa publicada pela administração da Covax fala em apenas 25 milhões de doses.

Para julho, a previsão original indicava um total acumulado de 125 milhões de vacinas na região. Mas nova previsão indica apenas uma fração disso: 30 milhões.

A escassez vai continuar. Em setembro, seriam já 185 milhões de doses. Mas, pela nova previsão, a região terá acumulado apenas 60 milhões de unidades.

Ao final do ano, a nova projeção prevê que 2021 terá visto a entrega de 180 milhões para a América Latina, 100 milhões de doses a menos que o que se imaginava no começo do ano.

O volume ganhará ritmo apenas em 2022, quando a região chegará em março com 235 milhões de doses. Mas não terá atingindo as metas estipuladas nem para o final de 2021.

Em fevereiro, o governo e a OMS indicaram que o país receberia 10 milhões de doses até junho. Num comunicado do dia 15 de junho, porém, a Unicef confirma que pouco mais de 5,9 milhões de doses já tinham sido fornecidas ao país e que outras 4 milhões viriam "nas próximas semanas". Mas, no comunicado, não há qualquer referência sobre datas.

Escassez é global

De acordo com os dados da Covax, os problemas não se limitam à região latino-americana. Com doses acumuladas nos países ricos, a OMS passou a alertar para o "fracasso moral" da distribuição de doses.

Para agosto, a previsão inicial era de que o mecanismo tivesse distribuído 1 bilhão de doses aos países mais pobres. Mas, pelo novo calendário, serão apenas 340 milhões de unidades.

A diferença entre o plano original e a nova previsão deve diminuir até o final do ano. Mas, ainda assim, as metas originais não serão atingidas. A OMS queria 2,2 bilhões de doses ao mundo em desenvolvimento até dezembro. Pela nova previsão, serão 1,8 bilhão. Desse total, os 92 países mais pobres terão 1,5 bilhão de doses. O Brasil não faz parte dessa lista.