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Jamil Chade

Questionada sobre Bolsonaro em Nova Iorque, OMS recomenda vacinação

Bolsonaro come pizza com comitiva durante viagem à Nova York, onde participa de Assembleia Geral da ONU - @gilsonmachadoneto no Instagram
Bolsonaro come pizza com comitiva durante viagem à Nova York, onde participa de Assembleia Geral da ONU Imagem: @gilsonmachadoneto no Instagram
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

21/09/2021 07h06

A OMS (Organização Mundial da Saúde) insistiu nesta terça-feira que todos aqueles que tenham acesso aos imunizantes contra a covid-19 que se vacinem. Numa coletiva de imprensa em Genebra, a representante da agência foi questionada pelo UOL sobre qual seria sua mensagem ao presidente Jair Bolsonaro, que está em Nova Iorque sem se vacinar.

"É um privilégio hoje ter uma dose neste momento", disse a porta-voz da OMS, Margaret Harris, numa referência à escassez que domina ainda dezenas de países pelo mundo. "Apreciem (esse acesso às vacinas) e ajam de acordo", recomendou, num claro pedido para que todos se vacinem. Segundo ela, existem "vários" imunizantes com sua eficácia e segurança comprovadas.

Hoje, enquanto países ricos conseguem superar a marca de 70% de suas populações com pelo menos uma dose do imunizante, as economias pobres continuam sofrendo uma profunda escassez. Em certas regiões, a taxa de cobertura ainda não chega a 2% da população.

Não por acaso, o apelo da OMS é para que, nos países onde as doses existam, que todos possam aderir à imunização.

A decisão de Bolsonaro de não se vacinar causou constrangimento internacional, com jornais estrangeiros ridicularizando o presidente. O brasileiro é o único líder do G-20 que não se vacinou. Membros do corpo diplomático na ONU revelaram ao UOL que, nas últimas semanas, presidentes africanos que tinham hesitado em se vacinar acabaram tomando as doses do imunizante já pensando em suas viagens para a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.

O prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, usou justamente o exemplo do brasileiro para dizer ao mundo: quem não cumpre regras básicas não entra.

"Precisamos mandar uma mensagem a todos os líderes mundiais, especialmente Bolsonaro, do Brasil, de que se você pretende vir aqui, você precisa ser vacinado. E se você não quer se vacinado, nem venha, porque todos devem estar seguros juntos. Isso significa que todo mundo deve estar vacinado", declarou o democrata.

Enquanto Bolsonaro opta por não se vacinar, a OMS alerta sobre os riscos de grupos que resistem às campanhas de imunização. Para a entidade, essa população é o principal foco de atenção, já que poderão acabar gerando novas mutações para o vírus e arrastando a pandemia por meses.