PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

Apesar de promessas, mundo não atingirá neutralidade de emissões em 2050

CO2 - iStock
CO2 Imagem: iStock
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

13/10/2021 04h56

Num informe que constata a dimensão da crise ambiental que o planeta vive, a Agência Internacional de Energia aponta que governos não conseguirão cumprir a meta de neutralizar s emissões de globais de carbono até 2050 e que ficarão 60% abaixo de seu objetivo se não houver uma mudança radical da na postura de líderes, empresas e da sociedade

O informe, publicado nesta quarta-feira, serve de marco para a Cúpula do Clima (COP26) que, em novembro em Glasgow, reunirá governos de todo o mundo para que um acordo tente ser obtido no sentido de reduzir as emissões.

Pelo atual ritmo de queda de emissões e com base nas promessas anunciadas por países nos últimos meses, as emissões de carbono diminuiriam em apenas 40% até o ano de 2050.

Para a agência, o mundo está caminhando de forma "muito lenta para colocar as emissões globais em declínio sustentado em direção à neutralidade ".

"O impulso de energia limpa extremamente encorajador do mundo está enfrentando a teimosa realidade dos combustíveis fósseis em nossos sistemas energéticos", disse Fatih Birol, o diretor executivo da AIE.

"Os governos precisam resolver isto na COP26, dando um sinal claro e inequívoco de que estão empenhados em escalar rapidamente as tecnologias limpas e resilientes do futuro", disse.

Para modificar o percurso e permitir uma revolução industrial que permita atingir tal meta, a AIE estima que investimentos de US$ 4 trilhões serão necessários até 2030.

O problema, segundo a agência, é que governos estão usando os bilionários pacotes de recuperação de suas economias para, uma vez mais, financiar o uso do carvão. Apesar da queda de emissões em 2020, o ano de 2021 deve ver o segundo maior aumento de emissões de CO2 da história.

Para a agência, a reunião do G-20 em Roma no final do mês e a a Cop26 em novembro devem servir para que as principais lideranças do mundo assumam planos mais ambiciosos, mas também para que os países ricos façam as transferências de dinheiro prometidas aos países mais pobres.

Dos US$ 4 trilhões necessários para permitir a transição ecológica, a AIE estima que 70% devem ir para os mercados em desenvolvimento.

No caso brasileiro, emissões aumentaram de 411 toneladas de C02 em 2010 para 442 em 2019. Em 2020, houve uma queda para 421 toneladas. Mas a promessa do governo é de atingir a meta de 356 toneladas em 2030 e 189 toneladas em 2050.