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Jamil Chade

Ucrânia é alvo de ataque cibernético, após impasse entre EUA e Rússia

1 dez. 2021 - Assento reservado para representante da Ucrânia em reunião da Otan, em Riga, Letônia - Gints Ivuskans/AFP
1 dez. 2021 - Assento reservado para representante da Ucrânia em reunião da Otan, em Riga, Letônia Imagem: Gints Ivuskans/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

14/01/2022 07h26

"Ucranianos! ... Todas as informações sobre vocês se tornaram públicas. Tenham medo e esperem o pior. É o seu passado, presente e futuro". É com essa mensagem que o site do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia acordou nesta sexta-feira, alvo de um ataque coordenado a vários órgãos do governo de Kiev. Com um mapa do país riscado, a mensagem ainda fazia uma referência à "terra histórica" que a Ucrânia representa para os russos.

Após o fracasso nas negociações entre a OTAN, Estados Unidos e Rússia, a Ucrânia é alvo de um intenso ataque cibernético. Nesta sexta-feira, os sites de ministérios e órgãos públicos saíram do ar,

O país que fez parte da União Soviética está no centro da tensão entre o Ocidente e Moscou. O Kremlin alega que americanos e europeus estão violando uma promessa que fizeram nos anos 90, de que não haveria uma expansão da OTAN aos países do ex-bloco comunista e considerados pela Rússia como sua área de influência.

O governo americano, porém, rejeita a tese e insiste que todos os países são soberanos para decidir em qual aliança querem fazer parte. Para Washington, esse princípio também vale para Kiev. A tensão ganhou um novo patamar depois de que os russos destacaram para a fronteira com a Ucrânia mais de 100 mil soldados, o que levou a Casa Branca a alertar que irá impor sanções contra Vladimir Putin se qualquer gesto de agressão for identificado.

A crise, agora, ganhou um novo capítulo com os ataques cibernéticos. Em Kiev, diplomatas admitem que não sabem a origem da agressão. Mas destacam que russos têm tido participação em eventos similares no passado. Em pleno inverno rigoroso da Ucrânia, em 2015, supostos hackers russos deixaram 250 mil ucranianos sem eletricidade e, portanto, sem aquecimento.

Nesta sexta-feira, o governo ucraniano qualificou o evento como um "grande ataque cibernético" e indicou que a polícia abriu uma investigação. Mas garante que dados não foram roubados.

O ataque levou a diplomacia europeia a convocar uma reunião de emergência, enquanto governos pela região declararam solidariedade às autoridades de Kiev. A União Europeia, sem citar a possibilidade de um envolvimento da Rússia, condenou os atos e prometeu apoiar as autoridades ucranianas, inclusive com recursos.

"Infelizmente, nós sabíamos que isso poderia acontecer", disse Josep Borell, chefe da diplomacia europeia. "Não posso culpar ninguém, pois não tenho provas". Mas podemos imaginar".

Desde o início da semana, diferentes governos têm alertado sobre a necessidade de uma resposta firme por parte da Europa diante de uma agressão russa.