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Jamil Chade

OMS: Vacina para crianças da Pfizer tem 90% de eficácia e segurança elevada

Vacina, criança, coronavírus - iStock
Vacina, criança, coronavírus Imagem: iStock
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

25/01/2022 03h00

Resumo da notícia

  • Dados que embasaram aprovação da vacina contradizem discurso e postagens de aliados do presidente Bolsonaro
  • Nos testes clínicos, "nenhum caso de miocardite foi relatado entre 3.082 participantes do estudo com idades entre 5-11 anos"

Uma nota técnica emitida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta que nenhum caso de miocardite foi registrado nos testes clínicos da vacina da Pfizer para o uso em crianças. O documento, obtido pela coluna, também revela que os níveis de eficácia do imunizante são considerados como elevados.

Os dados embasaram a decisão da agência, na semana passada, de ampliar a recomendação mundial para que a vacina da empresa fosse aplicada na faixa etária de cinco a 11 anos de idade. Até então, a OMS apenas chancelava as doses a partir dos 12 anos.

No Brasil, grupos próximos ao presidente Jair Bolsonaro questionaram o uso da vacina em crianças. A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), por exemplo, pediu ao Ministério da Saúde e à Anvisa "a suspensão da aplicação da vacinação infantil até a reavaliação da segurança".

Na semana passada, os ministros Marcelo Queiroga (Saúde) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) visitaram uma criança no estado de São Paulo que havia sofrido uma uma parada cardíaca no dia que em que recebeu a primeira dose da vacina contra covid-19 da Pfizer, enquanto Bolsonaro ligou para a família.

Mas foi descartado que o imunizante tenha gerado o problema. Mesmo assim, nas redes sociais, a hipótese de uma miocardite desencadeada pela vacinação proliferou. Damares Alves, por exemplo, sequer citou em suas redes a conclusão dos especialistas de que não haveria relação entre a vacina e a parada cardíaca. Em seu texto, ela se limitou a dizer que visitou a criança "hospitalizada após suspeita de parada cardíaca no mesmo dia em que recebeu a vacina contra Covid".

De acordo com a nota técnica da OMS, os testes realizados com a vacina deram sinais de segurança, contrariando os bolsonaristas.

Num dos testes clínicos, por exemplo, "nenhum caso de miocardite foi relatado entre 3.082 participantes do estudo com idades entre 5-11 anos com mais de 7 dias de acompanhamento após o recebimento da dose". A entidade admite que o estudo não tenha sido direcionado para avaliar o risco de miocardite.

A OMS ainda aponta que os dados iniciais de segurança depois da introdução da vacina nos Estados Unidos mostram que o "risco de miocardite é menor nesta faixa etária (entre cinco e onze anos) em comparação com adolescentes".

Eficácia

A redução de casos severos entre crianças também foi alvo de avaliação na agência, em Genebra. Um teste em adolescentes de 12 a 15 anos mostrou uma eficácia vacinal contra a infecção sintomática pelo vírus da covid-19 de 100%, sete dias após a dose.

Já um estudo após a introdução nos EUA da vacina concluiu que, entre pacientes hospitalizados de 12 a 18 anos de idade, a eficácia foi de 91%.

Um teste clínico de Fase 3 foi concluído em crianças de 5 a 11 anos de idade e mostrou resultados similares aos identificados entre adultos jovens. "A eficácia contra a doença sintomática foi de 90,7%", constatou.

A OMS aponta ainda que não existem atualmente estudos de eficácia de vacinas pós-introdução para a faixa etária de 5 a 11 anos.

A agência também insiste que a dose dada para esse grupo de crianças deve ser reduzida, em comparação ao volume administrado em adultos e que a necessidade e o tempo para a dosagem de reforço para crianças de 5 a 11 anos ainda não foram determinados.