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Biden quer expulsão da Rússia do G20; Brasil e emergentes são contrários

O presidente dos EUA, Joe Biden - Nicholas Kamm/AFP
O presidente dos EUA, Joe Biden Imagem: Nicholas Kamm/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

24/03/2022 15h54

Defendendo uma união da comunidade internacional, o presidente Joe Biden quer a expulsão da Rússia do G20 e sugere um convite para que a Ucrânia participe do grupo.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira, em Bruxelas, depois de encontros do americano na cúpula da Otan, UE e do G7. "A coisa mais importante é que permaneçamos unidos", disse Biden durante uma coletiva de imprensa.

No início da semana, o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, havia indicado que as entidades internacionais teriam de repensar a participação do Kremlin, enquanto diplomatas americanos destacam como, depois da anexação da Crimeia em 2014, a Rússia deixou de ser convidada para os encontros do G8, que passou a ser apenas G7.

Biden admitiu que não existe consenso sobre a expulsão e que, sozinho, o governo americano não pode evitar a participação de Moscou no bloco das 20 maiores economias do mundo. Mas ele afirmou que o tema foi de fato tratado nas reuniões desta quinta-feira. "Vai depender do G20", afirmou.

Um elemento chave será o comportamento da Indonésia, país que preside o bloco durante o ano de 2022. Jacarta está sendo alvo de duras pressões por parte das potências ocidentais. Mas, em diferentes resoluções nos organismos internacionais, os indonésios têm optado por uma abstenção. Entre os diplomatas, isso é interpretado como uma recusa em permitir que a guerra contamine os trabalhos das entidades e que os fóruns internacionais se transformem em palco para o isolamento da Rússia.

Do lado de Moscou, o Kremlin também aposta na aliança com os Brics para impedir que a expulsão se transforme em realidade. O Brasil já acenou que é contrário a qualquer isolamento nos moldes propostos por americanos e europeus. O Itamaraty quer manter o mandato dos grupos internacionais para que possam continuar a funcionar. Nesta semana, o Brasil se absteve em uma resolução que pedia a suspensão dos trabalhos da OIT com a Rússia.

Há poucos dias, o chanceler russo Sergey Lavrov ainda fez questão de publicar uma foto na qual ele aparece ao lado dos embaixadores de Brasil, China, Índia e África do Sul. Para Moscou, a imagem serviria para demonstrar que o governo de Vladimir Putin não está tão isolado como americanos e europeus desejam.

Já na cúpula do G7, que também ocorreu nesta quinta-feira em Bruxelas, o bloco das economias ricas emitiu um comunicado no qual pede que as organizações internacionais reavaliem sua relação com a Rússia.