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Jamil Chade

REPORTAGEM

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Novo embaixador da Ucrânia no Brasil já xingou Musk e coleciona polêmicas

Celso Amorim e Andrij Melnyk, o atual vice-ministro de Relações Exteriores da Ucrânia  - Reprodução/Twitter/Andrij Melnyk
Celso Amorim e Andrij Melnyk, o atual vice-ministro de Relações Exteriores da Ucrânia Imagem: Reprodução/Twitter/Andrij Melnyk

Colunista do UOL

12/05/2023 04h00

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O novo embaixador da Ucrânia para o Brasil, Andriy Melnyk, causou crises, abriu polêmicas e até xingou o bilionário Elon Musk. Nesta semana, depois de mais de dois anos sem um embaixador em Brasília, o governo ucraniano estabeleceu a ida de seu atual vice-chanceler para ocupar o cargo na capital federal. O anúncio foi feito durante a visita do assessor especial da presidência, Celso Amorim, para Kiev.

Conheça as polêmicas:

Ofensas a Elon Musk

Nas redes sociais, ele trocou farpas com Musk, depois que o magnata sugeriu que a Ucrânia abrisse mão de parte de seu território e que realizasse eleições nas regiões reivindicadas pela Rússia.

Como resposta, o embaixador abandonou qualquer diplomacia e, no Twitter de Musk, escreveu:

Fuck off é minha resposta muito diplomática para você.

Meses antes, Musk tinha oferecido aos ucranianos o serviço de satélite Starlink para garantir a conexão de internet no país. O gesto foi aplaudido pelo presidente ucraniano Voldymyr Zelensky. Mas, meses depois, o homem mais rico do mundo avisou ao Pentágono que não poderia ficar bancando sozinho a operação do satélite.

Crise com governo da Alemanha

Essa, porém, não foi a única polêmica. O ucraniano foi embaixador de seu país na Alemanha até o final de setembro de 2022. Mas Voldymyr Zelensky anunciou que ele seria reconvocado depois que o diplomata abriu um conflito com o chanceler alemão Olaf Scholz e outros líderes políticos em Berlim.

Tudo começou quando o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, havia sido impedido de visitar Kiev diante de sua suposta amizade com Putin. Como retaliação, Scholz cancelou sua visita à Ucrânia.

Dias depois, Melnyk acusou os alemães de terem laços estreitos com a Rússia e classificou Scholz como "salsicha de fígado ofendida". A referência é às pessoas que ficam facilmente ofendidas por qualquer coisa. Melnyk ainda retrucou: "não é um jardim de infância".

Naquele momento, Kiev e Berlim atravessavam um conflito sobre uma turbina de fabricação alemã que estava passando por manutenção no Canadá. A Alemanha pediu que Ottawa devolvesse a turbina à empresa russa Gazprom, já que seria fundamental para continuar a enviar gás natural para a Europa. Para Kiev, a devolução violaria as sanções.

Como representante Alemanha, Melnyk criticou veementemente Berlim por hesitar em apoiar os ucranianos.

Judeus e papel de ucranianos no regime nazista

A polêmica ganharia ainda mais força. Em junho de 2022, numa entrevista, ele rejeitou a tese de que o líder ultranacionalista ucraniano Stepan Bandera esteve "envolvidos na morte de 800 mil judeus" durante a Segunda Guerra Mundial. "Não há provas de que as tropas de Bandera tenham matado centenas de milhares de judeus. Não há nenhuma evidência"", retrucou o diplomata, que insistiu que isso fazia parte da narrativa russa, apoiada por Alemanha Polônia e Israel.

Segundo ele, o ucraniano não era um "assassino em massa de poloneses e judeus".

A Embaixada de Israel em Berlim acusou Melnyk de "distorção dos fatos históricos relativos ao Holocausto", enquanto o governo de Varsóvia protestou. Até mesmo o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia afirmou que aquelas eram as opiniões particulares do embaixador, e não do governo.

Semanas depois, sua remoção foi anunciada. Mas Volodymyr Zelenskiy minimizou a retirada do embaixador de Berlim. "Essa rotação é uma parte normal da prática diplomática", disse.