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Congresso e Planalto vivem 'normalidade' eletrificada

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

28/02/2020 01h38

Em viagem à Espanha, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia disse não enxergar um aumento da tensão entre Legislativo e Executivo por causa da disputa provocada pela tentativa dos parlamentares de impor ao governo o controle sobre a execução de R$ 30 bilhões do Orçamento da União para 2020. Maia tem razão. Não houve aumento. O índice de tensão continua nos mesmos 100%.

Ao compartilhar no WhapsApp um par de vídeos convocando o asfalto para uma manifestação de conteúdo anticongressual em 15 de março, Bolsonaro flertou com o curto-circuito num instante em que se imaginava que o ambiente ficaria menos eletrificado depois do feriadão de Carnaval. Percorrem os bastidores, munidos de fita isolante, os generais moderados do governo e auxiliares do ministro Paulo Guedes, da Economia.

Os generais Luiz Eduardo Ramos e Fernando Azevedo e Silva, respectivamente coordenador político do Planalto e ministro da Defesa, vão de autoridade em autoridade para informar que não há riscos institucionais na movimentação de Bolsonaro ou no comentário do general Augusto Heleno, chefe do GSI, que na semana passada chamou de chantagistas os parlamentares que tentam avançar sobre o Orçamento.

Os técnicos da pasta da Economia tentam costurar com o Congresso um entendimento que evite o engessamento de um Orçamento que já é muito engessado. Dentro de duas semanas, a equipe de Paulo Guedes reavaliará a execução orçamentária de 2020. Estima-se que a crise do coronavírus reduzirá o crescimento da economia global e também da brasileira. Menos crescimento resultará em menor arrecadação.

O governo talvez tenha de contingenciar, bloquear gastos num volume maior do que esperava. Daí o esforço para evitar que o Congresso se autoatribua o poder de controlar R$ 30 bilhões. Rodrigo Maia afirmou que está "tudo normal" nas relações entre Executivo e Legislativo. Tudo normal, nesse contexto, é um outro significado para conversa fiada.

Josias de Souza