PUBLICIDADE
Topo

Decreto que libera igrejas é um descuido de Deus

Isac Nóbrega/PR
Imagem: Isac Nóbrega/PR
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

26/03/2020 19h29

Deus, como se sabe, está em toda parte. Mas é evidente que o Todo-Poderoso cometeu um descuido. Estava ocupado com alguma outra coisa quando Jair Bolsonaro assinou o decreto que classificou as atividades religiosas como essenciais, que não podem ser interrompidas durante a guerra contra o coronavírus.

A concessão de salvo-conduto presidencial para que igrejas de todas as denominações continuem promovendo aglomerações como se não houvesse vírus é uma má notícia em si. O Ministério da Saúde elevou o risco ao registrar em sua contabilidade sobre a evolução do vírus um pico de mortes e contágios num único dia.

Bolsonaro insinuou, numa entrevista, que governadores fecham lojas, shoppings e igrejas não por razões sanitárias, mas por motivos eleitorais. Disse que as igrejas são o "último refúgio das pessoas".

Ora, o que se deseja é justamente evitar que as igrejas se convertam em "último refúgio" antes do vírus. O fechamento dos templos visa assegurar a volta dos fiéis aos templos, saudáveis, depois que a pandemia passar.

Bolsonaro cede à pressão de pastores no pressuposto de que será aplaudido pelo eleitorado evangélico. O capitão pode estar ofendendo a inteligência alheia.

Um fiel não precisa comparecer à igreja para exercitar sua religiosidade. Pode acompanhar cultos e missas pela internet. Pode orar e rezar em casa. Preservando-se, rende homenagens à vida e, em consequência, a Deus.

Josias de Souza