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Mourão: 'Tudo sob controle, não sabemos de quem'

Rafaela Felicciano/Metrópole
Imagem: Rafaela Felicciano/Metrópole
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

18/04/2020 01h15

Chamar a troca de comando no Ministério da Saúde de samba do crioulo doido seria uma injustiça com Sérgio Porto, o magistral criador da alegoria. No samba original, o crioulo entoou: "Joaquim José / Que também é / Da Silva Xavier / Queria ser dono do mundo / E se elegeu Pedro II."

O samba não dizia coisa com coisa. Mas era taxativo. A cerimônia do Planalto foi igualmente incompreensível. A diferença é que o espetáculo de Brasília teve a viscosidade de uma porção de gelatina.

Saiu Henrique Mandetta, acusado de privilegiar no combate ao vírus o isolamento social em detrimento dos empregos. Entrou Nelson Teich, que diz não ter a intenção de alterar abruptamente a tática de exilar os brasileiros em casa.

Ao discursar, Jair Bolsonaro, o presidente hipotético, pregou a reabertura do comércio. Simultaneamente, reconheceu que o Supremo o proibiu de decretar a medida, atribuindo-a a governadores e prefeitos.

Testemunha da coreografia em que um presidente anticientífico substituiu a ciência pela ciência na pasta da Saúde, o vice-presidente Hamilton Mourão resumiu a cena para os repórteres: "Tudo sob controle, não sabemos de quem!"

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL