PUBLICIDADE
Topo

Generais sofrem um processo de 'bolsonarização'

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

02/06/2020 14h09

Segundo a superstição que vigorou no início do atual governo, os generais convocados para comandar escrivaninhas no Planalto e nos arredores, oficiais altamente qualificados, atuariam como moderadores de Jair Bolsonaro, um capitão de comportamento explosivo. Aconteceu o oposto. Infectados pelos excessos do chefe, os generais sofrem um inusitado processo de "bolsonarização". (Veja comentário no vídeo)

O marechal Castello Branco cunhou em agosto de 1964, nos primórdios da ditadura militar, a expressão "vivandeiras de quartel." Vivandeira é a mulher que acompanha tropas em marcha, servindo alimentos e bebidas à soldadesca. E o marechal usou o termo para se referir aos políticos civis que rondavam os quarteis, bajulando a oficialidade.

"Eu os identifico a todos", disse Castello Branco. "São, muitos deles, os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques (acampamento de tropas) bulir com os granadeiros (soldados da infantaria) e provocar extravagâncias ao Poder Militar."

Sob Jair Bolsonaro surgiram personagens novos: são as vivandeiras de farda. Chegam ao palácio com ares de moderação e, subitamente, passam a bulir com o capitão, estimulando as extravagâncias do governo civil mais militar da história.

Josias de Souza