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Bolsonaro tem razão: ação do Brasil é inigualável

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

08/07/2020 19h39

Um mau governante faz a coisa errada. Um bom governante faz a coisa certa. Um governante extraordinário faz o certo ainda melhor. Jair considera-se o melhor presidente que Bolsonaro já conheceu. Ele avalia que o Brasil vem tendo êxito no combate à pandemia. "Nenhum país do mundo fez como o Brasil", disse o presidente. Realmente há uma certa originalidade nas ações adotadas por Bolsonaro. Ele não pode ser avaliado segundo os critérios clássicos de errado ou certo. É preciso reconhecer que o presidente inovou. Fez o pior o melhor que pôde.

Graças a Bolsonaro, o Brasil copiou mal o que é bom: o isolamento social. E inventou muito bem o que é ruim: a ausência de coordenação nacional na guerra sanitária. O Brasil não enfrenta uma crise sanitária, mas 27 epidemias. Cada estado lida com o vírus à sua maneira. Mesmo dentro dos estados há diferenças entre o que ocorre nas capitais e no interior. Isso introduz uma dose de caos num cenário que já é confuso. O ex-ministro da Saúde Nelson Teich, que durou 28 dias no cargo, escreveu um artigo no Globo que resume bem o ponto a que chegou o Brasil.

Como sempre desejou Bolsonaro, começou a fase da flexibilização do isolamento social, cuja utilidade só agora, tardiamente, o presidente começa a reconhecer. O problema é que a retomada das atividades econômicas ocorre de "forma confusa". Falta uma coordenação central. Nas palavras do oncologista Teich, "o modelo atual para liberar a economia pode acabar em inúmeras idas e vindas", num sistema em que "a mesma coisa é feita repetidas vezes na ilusão de que, em algum momento, vai funcionar. É quase a espera de um milagre", disse o ex-ministro.

Alheio ao risco de vaivém, Bolsonaro diz: "Preservamos vidas e empregos sem propagar o pânico". Ora, a contagem dos mortos está a caminho da marca de 70 mil. E os desempregados constituem uma legião que cresce à espera de uma contagem realista. Infectado pelo vírus, o presidente se comporta como garoto-propaganda da cloroquina, remédio de eficácia não comprovada. Realmente "nenhum país do mundo fez como o Brasil". O governante que mais se aproxima de Bolsonaro no estilo é Donald Trump. Nos Estados Unidos, já morreram mais de 130 mil pessoas.

Josias de Souza