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Josias de Souza

Fundeb melhorou porque o governo foi derrotado

LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS
Imagem: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

22/07/2020 02h38

Sob Jair Bolsonaro, o Ministério da Educação amou o caos durante um ano e meio. E foi correspondido. Na estratégica votação em que a Câmara renovou e aperfeiçoou o Fundeb, fundo de financiamento do ensino básico, o governo fez o papel do jogador que levanta da mesa de pôquer sem dinheiro para o táxi. Perdeu todas as apostas. O Fundeb melhorou porque o governo fracassou nas suas tentativas de piorá-lo.

A emenda constitucional aprovada pela Câmara torna o Fundeb permanente e eleva de 10% para 23% a fatia da União no fundo. O governo quis adiar as novas regras para 2022. Perdeu. Tentou transferir 5% do fundo para um novo Bolsa Família, a ser criado. Não colou. Conseguiu destinar 5% para o ensino infantil. Mas teve de pingar 3% a mais no cesto. Propôs que a verba do salário dos professores pagasse aposentadorias. Foi ignorado.

Líder do centrão e novo herói da resistência de Bolsonaro, o deputado Arthur Lira (PP-AL) tentou adiar a sessão. Foi avisado pela sua tropa de que, entre a Educação e Bolsonaro, ficariam com as verbas que o Fundeb envia para as prefeituras dos municípios onde estão os votos. Bolsonaro aprendeu que a maneira mais rápida de acabar com a guerra ideológica na Educação é perdê-la. E a derrota foi feia. Votaram a favor de Bolsonaro, contra o Fundeb, apenas sete deputados.

Ironicamente, o pedaço do governo que entrou com a cara na surra da Câmara foi o Ministério da Economia. Coube à pasta chefiada por Paulo Guedes realizar as manobras que os deputados desmontaram. Empossado na semana passada, o novo ministro da Educação, Milton Ribeiro, virou um figurante com Covid-19.

O antecessor Abraham Weintraub, enviado para um exílio dourado nos Estados Unidos, estava tão ocupado em travar sua guerra cultural que não teve tempo de cuidar da Educação. O novo Fundeb passou pela janela e só Weintraub não viu. Sorte do Brasil. A ausência do ex-ministro nos debates preencheu todas as lacunas.