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Futuro de Bolsonaro passará pelo Posto Ipiranga

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

24/09/2020 20h13

A pesquisa feita pelo Ibope por encomenda da CNI confirma o quadro detectado em sondagens de outros institutos: em termos de popularidade, Bolsonaro vive o melhor momento desde a posse. Em nove meses, sua taxa de aprovação subiu 11 pontos —de 29% para 40%. O detalhamento da pesquisa reforça a impressão de que o auxílio emergencial que o governo teve de pagar a 65 milhões de brasileiros alimentou também a imagem do presidente durante a pandemia.

O Ibope avaliou a atuação do governo em nove setores. A gestão Bolsonaro só obteve nota azul em um desses setores: a segurança pública foi aprovada por 51% dos entrevistados e reprovada por 45%. No combate à fome, o vale corona de R$ 600 -agora reduzido para R$ 300— produziu um equilíbrio. Registrou-se aprovação de 48% e reprovação de 49%.

Nas outras sete áreas, o governo recebeu nota vermelha: Meio Ambiente (reprovação de 57%, aprovação de 37%); Saúde (55% de reprovação, 43% de aprovação); Educação (52% de reprovação, 44% de aprovação); combate ao desemprego (60% de avaliação negativa, 37% de aprovação); combate à inflação (56% a 38%), Taxa de juros (64% a 30%), impostos (67% a 28%).

Esses resultados explicam a obsessão do presidente em colocar alguma coisa no lugar do auxílio emergencial a partir de janeiro. O Ibope revela que uma das maiores altas na popularidade de Bolsonaro foi registrada entre os eleitores com renda familiar de até um salário mínimo. Os pesquisadores foram às ruas entre 17 e 20 de setembro, período de carestia dos alimentos da cesta básica. É importante notar que as piores avaliações setoriais ocorreram em áreas administradas pelo ministro Paulo Guedes: desemprego, inflação, juros e impostos. O projeto político de Bolsonaro continua dependendo da economia. A reeleição passa pelo Posto Ipiranga.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL