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Josias de Souza

Bolsonaro tornou-se mentiroso com selo do TCU

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

07/06/2021 23h58

Todos gostariam de viver no país que Bolsonaro descreveu "em primeira mão" para os seus devotos no cercadinho do Alvorada. Um Brasil em que 50% das mortes por covid registradas em 2020 simplesmente não aconteceram. Coisa verificada em auditoria do Tribunal de Contas da União. Que a imprensa, logicamente, "não vai divulgar." O único problema é que esse país em que metade das vítimas letais do coronavírus some das estatísticas oficiais só existe na fábula em que Bolsonaro decidiu viver.

Num texto seco e ácido, o TCU anotou: "...Não há informações em relatórios do tribunal que apontem que 'em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid', conforme afirmação do presidente Jair Bolsonaro." Enxugando-se um pouco mais a curta nota oficial, o TCU quis dizer mais ou menos o seguinte: "Bolsonaro é mentiroso."

O bolsonarismo chegou a espalhar pelas redes sociais um hipotético documento do TCU com os dados mencionados pelo "mito". O tribunal esclareceu que o documento não saiu de suas fornalhas, que o conteúdo é falso e que não há nada parecido em nenhum dos seus relatórios.

Ninguém ignora que Bolsonaro mente. Mas é preciso reconhecer que o capitão se esforça para aperfeiçoar o hábito. Tornou-se um mentiroso com o selo de qualidade do Tribunal de Contas da União.

É natural que a imprensa não divulgue as verdades tal como o presidente as enxerga. Num país em que a cloroquina sobrevive à vacina, não se deve discutir uma mentira sobre o número de mortes por Covid com um presidente mentiroso. É preciso respeitar os especialistas.