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Josias de Souza

'Punição' do YouTube é ridícula diante do comportamento de Bolsonaro

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

26/10/2021 09h31

As redes sociais estão sempre alguns passos atrás dos transgressores de suas normas internas. Nas pegadas do Faceboock e do Instagram, que retiraram do ar a live em que Bolsonaro disse que vacina provoca aids, o YouTube decidiu agir. Além de suprimir a barbaridade presidencial de sua plataforma, impôs a Bolsonaro a proibição de usar o seu canal de vídeos por uma semana. É pouco, é muito pouco, é pouquíssimo.

Bolsonaro frequenta as redes sociais como um moleque que experimenta a sensação do primeiro pré-humano que enfiou o dedo numa fava de mel. Ele lambe os dedos cada vez que se lambuza com a divulgação de notícias falsas. As companhias que comandam as redes deveriam funcionar como abelhas na proteção de suas colmeias contra a ação de intrusos. Mas hesitam em ferroar Bolsonaro pra valer.

É preciso reconhecer que o YouTube é menos leniente. Desde abril, j;a removeu 33 vídeos postados por Bolsonaro em seu canal. Mas passa da hora de analisar a sério a hipótese de impor ao presidente brasileiro sanções mais severas, compatíveis com os delitos que ele pratica. É preciso considerar a hipótese de repetir no Brasil banimento semelhante em que amarga Donald Trump nos Estados Unidos.