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Josias de Souza

Liberação de vacina infantil enfurece Bolsonaro

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

16/12/2021 10h52

Bolsonaro ficou transtornado ao receber a confirmação de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária anunciaria a aprovação do uso da vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos. O presidente já estava aborrecido com o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres. O aborrecimento evoluiu para a fúria.

Em público, Bolsonaro já havia se referido à Anvisa de forma desairosa ao chamar de "coleira" o passaporte vacinal que a agência recomendou que fosse exigido dos viajantes que chegam ao Brasil. Entre quatro paredes, o presidente declarou que, se pudesse atrasar o relógio, não teria indicado Barra Torres para comandar a Anvisa.

A perspectiva de aprovação da versão infantil da vacina da Pfizer levou-o a se referir a Barra Torres com expressões de calão rasteiro. Os palavrões pronunciados em privado soaram como um prenúncio das barbaridades que Bolsonaro dirá sob refletores sobre a vacinação de crianças.

Num instante em que o governo torce o nariz para a necessidade de editar nova portaria com as normas sobre o comprovante de vacinação dos viajantes, o presidente trama sua nova investida antissanitária. Disse que exigirá do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que realce os "efeitos colaterais" da vacina infantil.

A implicância de Bolsonaro com vacinas deixou de ser teimosia. É sabotagem.