PUBLICIDADE
Topo

Josias de Souza

Servidores do BC se declaram 'indignados' com reajuste só para policiais

Fachada do Banco Central do Brasil - Shutterstock
Fachada do Banco Central do Brasil Imagem: Shutterstock
Conteúdo exclusivo para assinantes
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

21/12/2021 18h43

Em carta endereçada nesta terça-feira (21) ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, 45 chefes de departamento da autarquia anotam ter recebido com "profunda estranheza e indignação as tratativas para reajustes salariais para determinadas categorias do serviço público, alijando outras." Referiam-se à previsão de reajuste dos policiais federais, incluída no Orçamento da União para 2022. Afirmam que a providência gera "evidente assimetria de tratamento."

Noutro trecho, a carta realça a insatisfação dos funcionários do BC: "Importante trazer ao conhecimento da diretoria que os servidores em geral manifestam clara e fortemente que seria um golpe muito duro, uma grande decepção, serem deixados de fora desse movimento de recomposição." A íntegra da carta pode ser lida aqui.

Incluído no Orçamento por pressão de Bolsonaro, o reajuste dos policiais federais produz algo muito parecido com um efeito dominó. Os servidores do BC reagem nas pegadas dos auditores fiscais da Receita, que ameaçam paralisar suas atividades. O ministro Paulo Guedes (Economia) alertara o presidente sobre o risco de uma escalada de reivindicações salariais. Bolsonaro deu de ombros.

O relator do Orçamento, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), havia excluído o reajuste dos policiais do seu relatório. Deu meia-volta depois que recebeu um telefonema de Bolsonaro, que passa férias no litoral paulista. Reservou R$ 1,74 bilhão para a recomposição salarial dos policiais. A reação em cadeia não deve se limitar à Receita e ao BC. A pasta da Economia avalia que outras categorias do serviço público chiarão. O receio é o de que a chiadeira evolua para uma onda de paralisações.