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Jair Bolsonaro fez Alexandre de Moraes de bobo

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

28/01/2022 10h38

A ordem de Alexandre de Moraes para que Bolsonaro compareça à sede brasiliense da Polícia Federal para prestar depoimento passa a ideia de que o ministro do Supremo impõe ao presidente da República um tratamento rigoroso. Essa impressão é falsa. Na verdade, Bolsonaro fez Moraes de bobo. Deveria ter sido inquirido no final do ano passado. Pediu prazo de 60 dias. Concessivo, o ministro concordou, marcando o interrogatório para 28 de janeiro, esta sexta-feira. Na véspera, Bolsonaro mandou dizer que não tem interesse em depor à PF. O despacho de Moraes é a reação tardia de um magistrado ludibriado.

Neste inquérito, Bolsonaro é acusado de vazar processo sigiloso da PF sobre um ataque hacker ao sistema do TSE. Utilizou o material para difundir falsidades e desacreditar o sistema de votação eletrônica. A coisa aconteceu numa live do presidente, em agosto do ano passado. Não há muito a ser investigado. Como de costume, Bolsonaro se encarregou de produzir as provas contra si mesmo.

Em relatório divulgado no mês passado, a delegada responsável pelo inquérito. Denisse Ribeiro, já informou em relatório o que sucedeu. Escreveu que Bolsonaro teve atuação 'direta e relevante' para gerar desinformação sobre sistema eleitoral brasileiro. Sustentou que a live em que Bolsonaro mentiu sobre as urnas "foi realizada com o nítido propósito de desinformar", alimentando teorias que fortalecem os laços com os seus seguidores mais conservadores.

Impune, Bolsonaro voltou a atacar o Judiciário. Dias atrás, insinuou que o ministro Luís Roberto Barroso, prestes a deixar a presidência do TSE, e o próprio Moraes, que presidirá a Corte eleitoral na sucessão presidencial, estão a serviço do PT. Está claro que o presidente não abandonou a ideia de promover no Brasil uma encenação parecida com aquela em que seguidores de Donald Trump invadiram o Congresso americano depois da derrota, numa tentativa frustrada de golpe. O Judiciário brasileiro demora a desmontar esse palco.

O ritmo do processo contra Bolsonaro revela que a Justiça tarda, mas não chega. E a coisa pode piorar. Tomado pelo timbre das conversas que manteve com a Advocacia da União na noite passada, Bolsonaro não parece disposto a colaborar.